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O PANTANAL, OS NOVATOS E OS NOVATOS.

“Nunca confie no conhecimento do Pantanal de quem não souber corretamente todas as respostas!”

Meu irmão Paulo Gustavo, era Piloto Civil e conduziu muitas vezes o primeiro contato com o Pantanal de muitas pessoas, ávidas e curiosas por aquele novo mundo.

Sempre dizia aos calouros que quando lhes fossem passadas lições sobre o Pantanal, que eles fizessem ao “professor” 3 perguntas:

“-Qual o sabor da fruta do novateiro?

-O que era mãe de fogo?

-Para que serve a pelota?”

Evidente que ensinava as respostas certas e rindo dizia:

“Nunca confie no conhecimento do Pantanal de quem não souber corretamente todas as respostas!”

O Novato adquiriu esse nome por servir de trote ou iniciação a todos os que, adentrando os sertões pelos rios, encontravam pelas margens os sempre floridos novateiros…

Sempre os mais antigos encontravam uma forma de induzir o neófito a pegar nas belas flores…

Tive um primo, o José Francisco, que era pescador e muito brincalhão, e que preparava essa mesma armadilha para todos os novos companheiros, que sempre caiam na esparrela, e ele dava boas e sonoras gargalhadas com a reação à agressividade das formigas!

Entre os boiadeiros também existia algo semelhante, só que eles induziam o calouro ou a armar a rede no novato ou o indicavam como madeira a ser cortada e fincada para isso, evidente que riam a noite inteira com as frutas do novateiro, as formigas, infernizando a rede do inocente!

O Mestre Pott informa que os novatos de flores amarelas são os machos e os de fartíssima coloração vermelha são fêmeas, na Rua Antonio Maria Coelho, em Campão, haviam algumas plantadas na calçada, à época me disseram que longe da beira de rio, não dão as frutas abundantes, as formigas!

Do adjetivo novato pro substantivo novato, não se perde nada do sentido, mas também é chamado de pau de macaco, pois os primatas usam as formigas e seus içás  como fonte de proteína e gordura, dizem que os índios também ensinaram aos pioneiros a utilização,  nas corriqueiras emergências de fome, esse farnel de reserva sempre disponível.

Os moradores tradicionais usam o pau do novato em algumas circunstâncias, faz parte do sacrifício dos festeiros armar a bandeira do Santo, no alto dum mastro feito de novato, sacrifício ligeiro, pois basta deixá-lo de molho na água para exterminar as formigas.

O Pantanal é assim, o Pantaneiro nunca nega informações, se prega peças elas visam enriquecer culturalmente,  ele nunca impõe nada, mas expõe gostosamente ao ridículo todos os que abordam desavisadamente o Pantanal, sem pedir pelo menos, uma licencinha à cultura tradicional!

Fotos: Paulo Proença

Armando Arruda Lacerda

Pantaneiro do Paiaguás

 

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