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Professores usam criatividade para ensinar educação fiscal a 150 crianças

No ano em que a educação precisou se reinventar para superar as dificuldades de uma pandemia, a criatividade dos professores foi destaque em escolas de todo o Brasil

No ano em que a educação precisou se reinventar para superar as dificuldades de uma pandemia, a criatividade dos professores foi destaque em escolas de todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul não foi diferente. No Jardim Bonança mais de 150 crianças descobriram de forma lúdica o que é responsabilidade fiscal e financeira a partir do livro “As Escolhas do Governo”.

O projeto começou com parceria entre a Unidade de Educação Fiscal da Sefaz/MS (Secretaria de Estado de Fazenda) e a Escola Estadual 11 de Outubro, no início deste ano.

Para falar sobre a importância dos tributos para a sociedade com alunos de todas as idades, foram doados ao colégio várias unidades do livro escrito por Fabiana Rodopoulos e ilustrado por Victor Tavares. A história narra como o menino Bernardo descobriu ser responsável por ajudar o Governo a cuidar dos espaços públicos através dos impostos.

Na 11 de Outubro, a professora Marcela Tatiane Garib, de 38 anos, foi a responsável por desenvolver o projeto de educação fiscal com as turmas do 3º, 4ª, 5º, 8º e 9º ano. “Quando a proposta chegou ainda estávamos com aulas presenciais e eu tinha uma ideia diferente de como trabalhar o livro, me programei para começar o projeto, mas aí veio a pandemia”.

O primeiro desafio, conta a professora, foi encontrar uma maneira de alcançar todos os alunos de maneira igualitária. “Eu pensei: como trabalhar uma obra tão legal contemplando toda a diversidade dos meus alunos? Eu precisava contemplar meus alunos que não tinham acesso a internet, tornar a aula interessante para aqueles que tinham e no meio disso tudo ainda tenho um aluno surdo, do 4ª ano”.

A solução foi pensar o projeto em mais de um formato. Para os alunos sem acesso à internet, Marcela transformou as páginas do livro em quadrinhos e enviou impresso para a casa de cada aluno juntos com as atividades escolares, que durante a pandemia eram entregues a cada 15 dias. Para aqueles que conseguiam participar das aulas on-line o livro virou vídeo.

“Para o aluno que tinha acesso à internet eu falei: isso tem que se tornar interessante, porque na sala ele tem toda a ilustração, tem contato com o livro é isso é muito legal, é estimulante para o aluno. Se eu só jogasse as imagens talvez não fosse tão interessante, então decidi fazer um vídeo”.

Material produzido pelos alunos da professora Marcela Garib

No primeiro momento, a ideia era apenas reproduzir as páginas de “As Escolhas do Governo” em um vídeo com fundo musical, mas para contemplar também o aluno surdo, Marcela pediu a ajuda do professor de teatro Marcelo Piccolli. Ele então fez a narração de todo o livro de forma lúdica e divertida.

“Nosso aluno surdo do 4ª ano tem o professor de apoio, o Bruno dos Santos Moura. Eu perguntei se ele não aceitava fazer a interpretação do livro para libras. Ele aceitou e me autorizou mandar para todas as turmas. É interessante que os outros alunos tenham contato com um intérprete, para que isso se torne cada dia mais natural”.

O resultado da união dos três educadores foi um vídeo de pouco mais de sete minutos. Por três semanas, os alunos trabalharam o vídeo e os quadrinhos em aula. Foram convidados a fazer uma reflexão sobre planejamento financeiro e sobre como os tributos são aplicados no país. Por fim precisaram responder a pergunta “como gostaria que o Governo gastasse o dinheiro dos impostos”?

“Eu tive as respostas mais legais do mundo. Eu percebi que a atividade desenvolveu habilidades socioemocionais nos alunos, principalmente a empatia e a responsabilidade. Eles foram tão empáticos ao pensar no que o Governo deveria gastar o dinheiro dos impostos, falaram em investir nas escolas, em ajudar gente que não tem condição e as pessoas que perderam o emprego. A questão da pandemia também influenciou um pouco nas respostas. Mas foi legal saber que meus alunos são empáticos, que eles pensam nos outros”.

Para a professora, trabalhar a educação fiscal e a responsabilidade financeira em sala desenvolve a formação plena do aluno, fortalece o pensamento crítico na criança e cria um cidadão consciente. “A posteriori ele vai jogar esse conhecimento nos gestores, vai pensar que a pessoa que está ali manipulando o dinheiro tem que pensar como ele pensa”, defendeu Marcela.

“O que foi mais legal, é que esse livro entrou no lar do aluno. Não só o aluno assistiu ao vídeo ou leu o livro, mas o pai, a avó que está ajudando nas atividades, todos da casa. O aluno foi multiplicador. Porque você via que os responsáveis estavam ali ajudando nas atividades, então se o aluno aprendeu, o responsável também aprendeu”, defendeu a professora.

Todos os anos a Unidade de Educação Fiscal trabalha em parceira com escolas do Estado para levar conhecimento fiscal e cidadania a alunos de todas as idades. Para Amarildo Cruz, chefe da unidade, projetos como o desenvolvido na 11 de Outubro são extremamente importantes para o fortalecimento da cidadania.

“É por isso que nossa Unidade faz questões de fortalecer e reforçar esses programas em parceria com a rede pública e privada de ensino, levando assim a educação fiscal sobre a ótica do Estado como item fundamental na construção da cidadania do nosso povo. Mesmo em um momento de pandemia, professores com compromisso, que entendem a importância da cidadania fiscal, buscam alternativas para não perder a oportunidade de passar aos alunos o conhecimento que eles devem ter sobre cidadania fiscal. Isso nos ajuda a ter uma produção muito forte, mesmo em um momento como esse, na busca dos resultados que nos propusemos alcançar quando fizemos o planejamento do que seria desenvolvido pela Educação Fiscal ao longo de 2020”, afirma Amarildo Cruz.

Geisy Garnes, Sefaz

Fotos: Divulgação

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