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Com ensino à distância, reeducandos encontram na educação esperança e oportunidades

As solenidades foram coordenadas pela Diretoria de Assistência Penitenciária, por meio de sua Divisão de Educação

Para celebrar o encerramento do ano letivo em unidades penais de Mato Grosso do Sul, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) realizou pequenas cerimônias como um ato simbólico para prestigiar os reeducandos que se esforçaram e finalizaram mais uma etapa do estudo.

As solenidades foram coordenadas pela Diretoria de Assistência Penitenciária, por meio de sua Divisão de Educação, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (SED) e instituições de ensino superior, e contaram com o apoio da direção dos presídios, através do setor educacional.

Na capital, o Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ) realizou a formatura de cinco alunas, sendo uma que concluiu todo o Ensino Fundamental e quatro que finalizaram o Ensino Médio.

A Escola Estadual Polo Profª. Regina Lúcia Anffe Nunes Betine é responsável pelo ensino regular dentro da unidade e realizou a cerimônia de forma virtual, respeitando os protocolos de biossegurança por conta da pandemia.

Por meio de live, a diretora da escola, profª. Eliene Flores, parabenizou as internas pela conquista. “Nós sabemos que foi um ano muito difícil, porque não tiveram a presença pedagógica para estar auxiliando no processo de ensino/aprendizagem, mas vocês se mostraram persistentes, não desistiram, se esforçaram e conseguiram a vitória no final do ano”, enfatizou.

Já a diretora de Assistência Penitenciária, Elaine Arima, afirmou que a educação nunca foi feita apenas de forma apostilada como aconteceu neste ano atípico. “Talvez isso dê continuidade nos próximos anos, não sabemos ainda, mas mostrou de alguma forma que é possível fazer uma educação híbrida, misturando o presencial e o virtual, com suporte do material impresso”, garantiu.

Além disso, Arima ressaltou o importante apoio da unidade penal na produção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para o combate à proliferação do coronavírus em diversas instituições. “Foram 22 unidades penais que produziram em todo o estado e o EPFIIZ foi um dos que se destacou, sempre realizam um lindo trabalho em prol da comunidade e todas vocês fazem parte desse contexto”, revelou.

Cinco reeducandas do EPFIIZ se formaram neste ano

Ao todo, 28 alunas da escola participaram do evento. Em depoimento, a formanda Rosileide Romero Apolinário agradeceu todo o apoio recebido nesses cinco anos de dedicação aos estudos dentro da unidade penal. “Agradeço aos servidores, professores e colegas que contribuíram para o meu crescimento nos estudos, transmitindo a mim não somente a teoria, mas também a ética, a dedicação e o amor no que fazem. Conviver com cada um de vocês tornou essa experiência mais leve, alegre, gratificante e encantadora”, disse a reeducanda que acaba de concluir o Ensino Médio.

A chefe da Divisão de Educação da Agepen, Rita de Cássia Argolo Fonseca, deixou uma mensagem de incentivo e gratidão por todo o esforço das internas. “Esse ano foi um ano de grandes desafios e batalhas, mas também um ano de oportunidades para novos aprendizados. Para alguns, o final de ano representa um encerramento de um grande ciclo, para outros, é um recomeço de novas conquistas. Quero parabenizá-las pelo compromisso, empenho e responsabilidade em aprender coisas novas. Desejo que o ano vindouro seja de novas realizações, perspectivas e mais conquistas”, finalizou.

Já no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), os reeducandos que cursam ensino superior, na modalidade à distância (EAD), também finalizaram o semestre com uma cerimônia. Ao todo, 17 alunos são matriculados em cursos de graduação, e estudam através das plataformas e envio de materiais digitais ou impressos.

Este formato de ensino à distância é possível graças à uma parceria entre a Agepen e as instituições de ensino superior, como a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Faculdade Estácio de Sá.

De acordo com a servidora responsável pelo setor educacional da unidade, Cristiane da Silva, o ensino remoto possibilitou dar continuidade às aulas e atividades pedagógicas, seguindo as normas de biossegurança. “Esse momento de interação com outros acadêmicos contribui na aquisição de novos conhecimentos para transformar a realidade de cada um, ampliando assim, a possibilidade de maiores oportunidades no mercado de trabalho, quando conquistarem a liberdade”, enfatizou.

Durante o encontro, os internos assistiram à exibição do filme “Opostos”, cuja história é baseada em fatos reais e traz uma lição de superação e resiliência em contextos de escassez e privação. O momento foi finalizado com uma reflexão e oferecido lanche aos participantes.

Reeducandos que cursam ensino superior celebram o encerramento de mais um semestre

Para o interno D.I.S.F., 40 anos, ter a chance de fazer uma faculdade ainda em regime fechado é muito mais que uma oportunidade, é sinônimo de esperança. “Isso demonstra que acreditam em nós e que é possível uma mudança efetiva em nossas vidas. Trata-se mais do que um diploma e muito mais do que dias remidos, tem a ver com o desejo de dias melhores, repletos de dignidade”, agradeceu o reeducando que está na metade do curso de Marketing pela UCDB.

Conforme o diretor do presídio, Francisco Sanábria, a educação abre um leque de oportunidades para o crescimento individual dos apenados, aumentando as chances de competir no mercado de trabalho e garantir o seu sustento e de sua família de foram digna. “Conheço pessoas que fizeram faculdade aqui no IPCG e hoje tem seu trabalho, esses exemplos nos deixam muito felizes por entender que todos os esforços estão dando resultados. Esse é o nosso objetivo, reintegrar as pessoas melhor do que quando entraram”, informou.

Igualdade

No Instituto Penal, também foi realizado o encerramento das atividades do grupo GBT, através de um torneio de vôlei com premiações, e ao final, foi servido um lanche a todos os participantes.

O evento foi organizado pelo setor psicossocial, como forma de trabalhar a diversidade dentro da unidade penal. O grupo já existe há três anos e busca levar para esse público mais igualdade, respeito e informação, como forma de garantir direitos e combater a homofobia.

Todos os protocolos de segurança foram tomados durante o jogo, os internos que participaram são da mesma cela e convivem juntos diariamente.

O grupo é coordenado pela servidora Liliane Amarilha e a ação contou com a colaboração do chefe de segurança, Fábio Luiz Pereira, e o agente penitenciário, Cleverton Henrique Leal.

Tatyane Santinoni, Agepen

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