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Uma carta aos políticos e aos agentes públicos.

Um pedido e um apelo àqueles que nos representam como nação.

Quando fui honrosamente convidado a escrever esta coluna, trouxe comigo uma série de indignações e indagações que compartilho, creio eu, com milhões de brasileiros, que é o inegável questionamento do porquê nosso país não ser a potência hegemônica que deveria ser.

Antes de iniciarmos nosso bate papo, trago uma consideração inicial importante a ser feita: Esta coluna não é direcionada a toda a classe pública/política, mas sim àqueles que insistem em achar bonito o mais feio de todos os crimes, que é tirar do povo o que é do povo (adentrando ao conceito mais íntimo do que é uma República). Tenho absoluta convicção (e até mesmo um certo bom senso) em saber que a maioria da classe que nos representa no espaço público é formada por pessoas honestas e que querem nosso bem, e, até por isso, teço essa consideração inicial para parabenizar quem adentra ao espectro democrático para ajudar o Brasil a ser melhor.

Feito isso, começo esse apelo com algumas curiosidades que explicam essa absoluta consternação que ronda nosso questionamento: O Brasil está entre os países com a maior área fértil do planeta, possui o maior aquífero do mundo, encontra-se em dimensões continentais, com uma diversidade climática que nos permite produzir de ótimos vinhos ao sul do país até sermos o maior produtor de soja do mundo, abrangendo todas as áreas da nossa nação com uma infindável capacidade de produzir alimentos e alimentar não só o Brasil, mas o mundo.

Ou seja, por uma lógica quase que aristotélica, já deveríamos ser uma hegemonia por simples necessidade prática: Nós temos a matéria prima da vida em abundância no nosso sagrado solo, pois, até o momento em que escrevi essa coluna, todos os quase 08 bilhões de seres humanos que habitam a terra precisam de comida e água como elementos mínimos de sobrevivência.

Se não fosse o bastante termos dádivas como as que acabei de exemplificar, ainda somos um país que não sofre com desastres naturais advindos da má sorte (sofremos com desastres advindos da irresponsabilidade humana, infelizmente), pois não podemos nos queixar da nossa localização geográfica: Estamos em cima de uma grande placa tectônica, o que nos impede sofrer abalos sísmicos de grande magnitude, além de não sofremos com a ocorrência de grandes furações, tufões e ciclones, pois “nossos mares dificilmente atingem os 26,5 graus necessários para a formação das piores tempestades”.

É simples a conta: Além de sermos abençoados por comida e água em abundância, ainda podemos nos gabar de sermos uma das maiores porções de terra do mundo que não sofre com a fúria da natureza em seu espectro de força maior.

Apenas para fins de comparação, o Japão, que é menor que praticamente todos os estados da federação, é cortado por placas tectônicas e convive com desastres naturais com a mesma naturalidade que o chá da tarde para os ingleses, além de ser uma terra sem qualquer capacidade produtiva para alimentar até os seus próprios nacionais. Mesmo assim, o Japão é mais rico que o Brasil.

Diante disso é que questiono: Qual o motivo de não avançarmos como nação e não atingirmos o ápice do nosso patamar civilizatório? Consegui encontrar inúmeras respostas, desde a concepção histórica da nossa formação como nação soberana até a infindável burocracia que nos atinge no patamar econômico, sendo que a resposta que mais satisfez a minha perplexidade é a absurda desfaçatez com a qual é gerido nosso sistema político e nosso arcabouço público, o qual é chamado nos botequins pelo desgraçado nome de corrupção.

Sempre disse que a corrupção em um aspecto amplo (o que abarca desde o loteamento de cargos por favores escusos até a má gestão do erário) é o pior e a mais vil de todas as condutas criminosas: A corrupção mata nas escolas públicas que não foram construídas, criando uma sociedade sem pessoas com senso crítico acurado; a corrupção mata nos postos de saúde que não possuem estruturas mínimas de atendimento, desde falta de pessoal até falta de medicamentos simples; a corrupção mata nas ruas, quando saímos para trabalhar e o efetivo policial precisa enfrentar corajosamente um crime que infelizmente compensa e é mais poderoso que os nossos heróis; a corrupção mata nos loteamentos de cargos públicos para pessoas incompetentes e desajuizadas; a corrupção mata em um Poder Judiciário moroso e ineficaz na busca pela Justiça. Em suma, a corrupção é um câncer que tentamos combater no corpo e não na célula cancerígena.

Nós vivemos atualmente uma tragédia à brasileira: O sistema é montado para corromper, os Poderes da República não se conversam para tentar melhorar, mas sim apenas para trocar braço de ferro e pensar na eleição subsequente, o Poder Judiciário é concretizado para atender uma demanda impossível de se resolver com qualidade, a burocracia é elemento indispensável de uma chacina ao nosso dinheiro, os agentes políticos vivem sob uma capa de invisibilidade que os separam daqueles que os elegeram, ou seja, é um cenário que se reveza entre o absurdo e o ridículo, nos jornais e principalmente na realidade de uma massificada sociedade que sofre os golpes todos os dias, sem esmorecer e com a galhardia daqueles que apanham e apanham sem cair.

Infelizmente, como já dizia o conhecido brocardo, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, e esse é o meu maior medo, que o povo brasileiro se canse de apanhar e passe a viver numa indecente realidade de anestesia ao ridículo que somos obrigados a sentir todos os dias na nossa nação.

Diante disso é que meu apelo aos políticos e aos agentes públicos é simples: Tenhamos em 2021 um ano de renovação, um ponto de inflexão, onde o nosso sagrado país seja protagonista em práticas boas, onde os reflexos de autoridade não se confundam com autoritarismo, mas sim com senso de empatia, com senso de um bem comum que reverbere na maravilhosa nação com a qual temos o privilégio de ter nascido e recebido tantas pessoas boas de fora, para que não sejamos vistos como palhaços em um todo por uma parte podre que insiste em reverberar palhaçada como se estivéssemos em um espetáculo circense.

O Brasil não é e nem será nunca terra de palhaços mórbidos, por mais que estes tentem assim nos adjetivar, oportunidade onde termino essa primeira coluna com um trecho do nosso hino nacional, e, para mim o trecho que representa cada um de nós, que veem no Brasil nossa casa e nosso refúgio: “Verás que um filho teu não foge à luta”.

Que Deus ou qualquer que seja sua entidade espiritual (até mesmo a ausência dela), os proteja, os guarde e os conduza por um 2021 de prosperidade na busca por um país que faça ordem às dádivas que recebemos como nação.

Por: Elias Cesar Kesrouani Junior

Advogado Constitucionalista

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