Câmara Municipal

Em retomada de lives sobre Covid-19, vereadores debatem medidas restritivas e ampliação de leitos

Com avanço no número de casos de coronavírus em Campo Grande, vereadores debateram, na primeira live sobre o tema realizada pela Câmara Municipal neste ano, algumas medidas que precisam ser melhor avaliadas para tentar reduzir o contágio e garantir que todos tenham acesso a leitos nos hospitais, caso necessitem. Neste mês, em que a pandemia completa um ano na Capital, o cenário é bastante preocupante, com 79,4 mil casos confirmados, 465 pessoas internadas e 1.624 óbitos.

O vereador Dr. Sandro Benites, presidente da Comissão de Saúde da Casa de Leis, abriu o debate fazendo um retrospecto da pandemia no período. De março a junho, por exemplo, a cidade tinha um número mais controlado de notificações. Porém, em julho e agosto, as notificações e internações aumentaram. “Mas, não tivemos colapso da saúde, a ponto de fecharmos hospitais e as pessoas não conseguirem entrar”, afirmou. Atualmente, porém, alertou que estamos vivendo uma segunda ou terceira onda da doença.

Das 465 pessoas que estão internadas em Campo Grande, 210 estão em leitos de UTI (117 leitos públicos e 93 leitos privados), 255 estão em leitos clínicos (100 em leitos públicos e 155 em leitos privados), conforme boletim repassado da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), apresentado na live pelo vereador Victor Rocha, vice-presidente da Comissão de Saúde.

Ele citou algumas ações dos últimos dias, como a implantação de 44 novos leitos de UTI pela prefeitura, abertura de seleção para contratação de 40 enfermeiros e 30 fisioterapeutas, além de planejamento de ampliação de unidades para se tornarem mais resolutivas. Segundo o vereador Victor Rocha foi apresentada ainda, em reunião na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a sugestão de adoção do tratamento precoce da Covid-19, logo no aparecimento dos primeiros sintomas.

Os vereadores também aprovaram, no começo do ano, projeto para autorizar a prefeitura a realizar compra emergencial, além de proposta que ratifica protocolo de intenções firmado entre municípios com a finalidade de adquirir vacinas para combate à pandemia do coronavírus. Na prática, garante a participação de Campo Grande no Conectar (Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras).

Medidas restritivas – O vereador Prof. André Luís, doutor em Doenças Tropicais e Saúde Internacional, reiterou a necessidade da criação de um gabinete de segurança para debater as ações de enfrentamento à Covid-19 em Campo Grande. “A pandemia é um fenômeno mundial, em que todos estamos apanhando e aprendendo. Nova Zelândia e Portugal, países que tiveram registros mais leves inicialmente, também enfrentaram agravamento. Existem testes que não estão detectando novas cepas e a tendência é haver agravamento”, disse, alertando que atualmente os jovens estão se infectando mais.

Ele ressaltou a preocupação com o transporte coletivo, que segue lotado em determinados horários, o que contribuiu para agravamento do contágio. “Estamos tratando o corona como se fosse noturno, pois só não se pode sair depois das 20h. Mas ele está em todos os ambientes e horários”, afirmou o vereador Prof. André Luís. Para ele, o fechamento por dez dias, sem ninguém saindo de casa, poderia ser avaliado, mas a discussão precisa ser ampliada para identificar aqueles que mais seriam atingidos por um eventual lockdown e que necessitariam de assistência pela prefeitura, a exemplo das pessoas de baixa renda. “Temos que estudar para ter atuação mais efetiva. Somente a discussão nos fará ter intervenções mais assertivas”, acrescentou. Outro ponto seria a mudança da estratégia de vacinação pelo Ministério da Saúde, com pontos de bloqueio nos locais com alto risco.

O vereador Otavio Trad, presidente da Comissão de Legislação e Justiça da Câmara, repassou informações sobre os decretos municipais em vigor relacionados à pandemia. Ele relembrou que em março de 2020, a prefeitura de Campo Grande foi uma das primeiras a adotar medidas restritivas, como fechamento de parques e praças e suspensão do comércio, mas o lockdown não chegou a ser adotado na cidade.

Ainda, foi aprovada a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os espaços públicos, o que permanece valendo. “Estamos tendo agravamento em todo País, os leitos de UTI estão mais escassos e há uma sensação de impotência do ponto de vista da saúde pública. Recentemente, tivemos decreto do Governo estadual que trouxe um pouco de polêmica referente à questão econômica. Há preocupação com a questão financeira, afinal, estabelecer medidas restritivas é diferente um ano depois de pandemia, em que a população já tem tido dificuldades financeiras”, ressaltou Trad.

Atualmente, está valendo o toque de recolher das 20h às 5h em Campo Grande, de segunda a sexta-feira, como em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. No final de semana, os estabelecimentos de atividades consideradas não essenciais podem funcionar das 5h às 16h.

Lockdown – O vereador Tabosa ressaltou que “vidas não voltam mais” e defendeu a necessidade de “fechar tudo no mínimo dez dias e o poder público cuidar das pessoas que neste período vão ficar nas suas casas”, considerando que a administração municipal deve ter a relação das pessoas com maior necessidade. “Vai resolver? Vamos salvar vidas e diminuir a curva. Vamos salvar algumas vidas”, disse. Ele acrescentou que 300 leitos de UTI ainda sã insuficientes. “Pessoas estão nas UPAs. Nossos servidores, heróis da saúde, estão no limite. Vai chegar momento em que eles não vão aguentar. Não vão fazer mais nem plantão”, alertou.

O vereador Dr. Loester destacou que já foi um defensor do lockdown, mas reconhece a dificuldade que se tem para fazer. “Temos que procurar meios para não chegar neste ponto. O que não podemos fazer é jogar toda a culpa no prefeito. O mundo não estava preparado para a pandemia. Temos que ter melhores condições. Se for necessário lockdown temos que dar força para resolver essa situação”, disse.

A vereador Camila Jara questionou em relação aos protocolos de classificação de gravidade dos casos de Covid e, diante dos números atuais, se Campo Grande não deveria adotar medidas restritivas mais rígidas. “O vírus já está em circulação e por isso estamos tendo mutações que estão atingindo os mais jovens. Por que não olhamos exemplos de alguns municípios brasileiros ou até de outros países, como Canadá e Nova Zelândia?. Temos que avaliar essas experiências que deram certo. Nas Upas encontramos pessoas com e sem Covid juntas no mesmo espaço. Se protocolo indicar que precisamos fechar, temos que fechar, mas  precisamos falar do amparo para as pessoas que não tem condições. Temos exemplo de cidades que estão tendo auxílio para essas pessoas e isenções aos empresários”, exemplificou.

O vereador Dr. Sandro Benites vê dificuldade na adoção de lockdown pelo fato de o vírus já estar circulando e as pessoas necessitarem ir no mercado, na padaria, na farmácia, entre outros. Além disso, avalia que no Brasil muitos precisam “trabalhar num dia para comer no outro”. Ressaltou ainda a importância da vacinação, pois hoje quase zeramos o número de mortos acima de 90 anos porque todos foram vacinados.

Ele acrescentou a necessidade de consciência coletiva, pois as pessoas estão nas ruas, nos bares. “Precisa ter consciência coletiva que pertence a uma cidade, a uma nação. Hoje, a pessoa pode ter dinheiro que não consegue leito de UTI, todos os sistemas estão entrando em colapso”, disse.

Participação popular – A live foi transmitida pelas redes sociais o público participou encaminhando perguntas, as quais foram respondidas pelo vereador Dr. Sandro Benites, presidente da Comissão de Saúde.

Uma delas foi sobre as escolas particulares, que seguem abertas, respeitando as medidas de biossegurança. O vereador salientou que “as crianças tem proteção natural em relação ao coronavírus. Tem imunidade e receptor diferente, tanto que quintuplicamos o número de UTI adulto e a UTI pediátrica e neonatal até reduzimos. As crianças estão protegidas”.

Os estudantes de medicina, que fazem atendimento na linha de frente de combate ao coronavírus, também cobraram sobre o fato de ainda não terem sido vacinados. O vereador salientou que já houve conversa com o secretário municipal de Saúde, José Mauro de Castro e todos devem ser imunizados.

Outro cidadão questionou sobre o Hospital de Campanha, que acabou sendo desativado ano passado. O vereador salientou que “todos no Brasil foram desativados porque precisamos de UTI, então (o hospital de campanha) não resolve porque não é o que precisamos no momento. Foi erro estratégico que não pode ser repetido agora”.

Também houve questionamento sobre a necessidade de fortalecimento da atenção básica. O vereador ressaltou a importância da orientação. “Nos primeiros sintomas, deve-se procurar o médico. Tem dor de cabeça, diarreia, fique de olho aberto, principalmente se for diabético. Nem sempre há falta de ar. Homem grisalho ou calvo antes dos 50 anos também é grupo de risco. Sedentarismo e obesidade também. Profissionais da saúde precisam passar por treinamento para essas orientações”, disse.

Lives – O debate desta quarta-feira marca a retomada das lives de orientação promovidas pela Câmara Municipal. O público pode participar, com sugestões e perguntas, da transmissão ao vivo pelo Facebook (https://www.facebook.com/camaracgms) e no Youtube (https://www.youtube.com/camaramunicipalcg) da Casa de Leis. Durante o ano passado, a Comissão Especial em apoio ao Combate a COVID -19 da Casa de Leis promoveu lives todas as quartas-feiras, transmitidas pela rede social, para discutir com a sociedade as medidas de enfrentamento à doença.

Milena Crestani 

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal 

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