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Exposição realizada na Capital reúne mosaicos confeccionados por reeducandos de Ivinhema

Com até mil peças, quebra-cabeças se transformam em reproduções de renomadas pinturas nas mãos dos detentos do Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Ivinhema (EPMRFI). As belas obras foram emolduradas e estão expostas no prédio da Procuradoria-Geral da Justiça (PGJ/MS), no Parque dos Poderes, na Capital.

Com o objetivo de aproximar a comunidade de todos os segmentos que fazem parte da dinâmica prisional, a exposição visa divulgar um dos trabalhos desenvolvidos dentro das unidades penais do Estado e conta com o apoio do Ministério Público. Ao todo, oito quadros fazem parte da exposição, que teve início na última semana.

Nas mãos de 25 reeducandos, as peças reproduzem quadros de pintores como Leonardo da Vinci, Tarsila do Amaral, Edvard Munch e Vincent Van Gogh, que garantem elegância e sofisticação ao ambiente.

O trabalho é resultado do projeto pedagógico-terapêutico desenvolvido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio da direção do presídio e com apoio do setor psicossocial. A proposta é trabalhar o raciocínio cognitivo dos reeducandos, reforçando o processo de aprendizagem educacional.

O projeto pedagógico-terapêutico desenvolve nos internos habilidades como concentração, raciocínio, disciplina e trabalho em equipe.

Além disso, os quadros também serão compartilhados com os estudantes da rede pública de Ivinhema, assim que retornarem as aulas presenciais, como forma de incentivar a exploração do mundo da arte e do conhecimento.

Segundo o diretor da unidade penal, Leôncio Elídio dos Santos Júnior, o trabalho existe há cerca de seis meses e tem estimulado nos internos novas habilidades como concentração, disciplina, organização e trabalho em equipe, essenciais também para o sucesso no mercado de trabalho.

“Enquanto as aulas não retornam, por conta da pandemia, buscamos de outra forma divulgar esses trabalhos. Essa primeira exposição representa um projeto de expansão e a nossa produção vai depender da demanda apresentada”, afirma, reforçando o importante papel da iniciativa como estímulo ao conhecimento e educação de quem faz e de quem vê a obra pronta.

O trabalho conta com o apoio das secretarias de Cultura e Assistência Social do Município de Ivinhema, além do Projeto Nova Jerusalém, que produziu as molduras para que as obras pudessem ser expostas.

União de esforços

Marcenaria instalada no EPJFC.

Os cavaletes utilizados para a realização da exposição também foram produzidos com mão de obra carcerária. Provenientes de doações de paletes das Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa/MS), os reeducandos do Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho”, na capital, realizaram a transformação.

Para a Promotora de Justiça Jiskia Sandri Trentin, essa parceria entre o Ministério Público e a Agepen demonstra a importância da união das instituições quando há propósitos em comum, como a ressocialização, alicerce da execução penal. “Proporcionar oportunidades de ocupação lícita e de enfrentamento ao ócio é obrigação do Estado, merecendo destaque e aplauso à criativa ideia das montagens de quebra-cabeças alusivos a obras de arte consagradas por internos da unidade prisional de Ivinhema”, afirma.

Durante um mês, as obras estarão à disposição para venda. Os preços variam de 150 a 350 reais. Os valores arrecadados serão revertidos para aquisição de novos puzzles. A exposição está localizada na Avenida Desembargador José Nunes da Cunha, S/N – Parque dos Poderes – Bloco IV, em Campo Grande.

De acordo com a chefe da Divisão de Trabalho Prisional, Elaine Cecci, nesses últimos anos a Diretoria de Assistência Penitenciária tem se empenhado em dar voz a esse público. “Nossa intenção é justamente divulgar o potencial de mão de obra prisional, as inúmeras possibilidades que o meio carcerário dispõe relativo ao trabalho, já que o labor é balizador do meio social. Estamos na contramão do ócio e para isso precisamos ativar parcerias”, destaca.

Já o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, garante que o desenvolvimento de projetos que possibilitem a ocupação produtiva aliada à formação cognitiva contribui na melhora do comportamento e incute novos valores aos apenados. “Essa aproximação do sistema penitenciário com a sociedade facilita a quebra de paradigmas e alavanca novas oportunidades para os reeducandos”, finaliza o dirigente.

Tatyane Santinoni, Agepen

Fotos: Divulgação

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