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Pascoa 2021 no Pantanal

Despacho do Ministro Marco Aurélio do STF

Para os Israelitas a festa da Páscoa marcava a partida do cativeiro do faraó, com o sangue do cordeiro sacrificado, espargido em suas portas, assinalando para que o anjo da morte os poupasse, pois estavam de partida para Canaã.

Já nós, cristãos, cultuamos o sacrifício do Cordeiro de Deus e festejamos a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, que redimiu e redime nossos pecados.

Como os Judeus no Egito, os pantaneiros agoniaram-se quando a PGR adentrou o STF buscando, liminarmente, trazer os marcos legais do Bioma Mata Atlântica para o Bioma Pantanal …

Foi uma surpresa para todos os pantaneiros que acompanham, como podem as Audiências Públicas Legislativas bem como as do meio acadêmico sobre a candente discussão dos Incêndios no Pantanal, que atingiu um verdadeiro paroxismo nos últimos dias …

Se ainda não se chegou a um consenso, nem a uma simples avaliação e autocrítica, quanto aos resultados da antiga e equivocada política de aumento das reservas acumuladoras de massa vegetal combustível, estamos assistindo, pelo menos no meio acadêmico, uma divulgação de estudos racionais sobre as diferenças entre fogo e incêndio no Pantanal.

Acumular combustível em grandes áreas, embora com as melhores das intenções, longe de resolver o problema, antes o agrava, não precisa uma perícia basta consultar as imagens do Google Earth com um mínimo de conhecimento de campo, do local onde aquelas imagens foram captadas.

Para ambos os campos que debatem imagens para embasar seus pré-conceitos, reiteramos que imagens sem trabalhos de campo, são só um indicador de aonde você precisa, como diria Cássio Leite de Barros, levar seu porongo de água, seu sapicoá de matula, seu poncho de leite de mangaba, seu pala de lã, pois no Pantanal você pega “seca de rachar, fome de doer, chuva de encher e frio de gemer”!

A velha política importada de reservas configuram-se aquilo que se chama de políticas “Top Down”, implantadas desde cima sem o conhecimento mínimo ou trabalho de campo, ignorando a sabedoria tradicional de quem vive no local.

Apelar ao STF parece mais uma tentativa de golpe higienista “de cima para baixo”, nos conhecimentos empíricos tradicionais e nos caminhos que já se vem delineando, neste alvorecer do respaldo científico da academia despojada de preconceito à cultura do caboclo pantaneiro.

Como diria Ab’Saber e Orlando Valverde o Complexo do Pantanal é uma área de transição entre todos os biomas nacionais, contendo partes específicas de cada um, portanto, não precisamos transformar o Bioma dos Biomas em Mata Atlântica, já que ele já contém um resíduo …

O pedido foi surpreendente, ele próprio quase uma sentença, ainda bem que o Ministro Marco Aurélio determinando aguardar racionalmente o contraditório, dá aos pantaneiros uma chance de celebrar, nesta Páscoa 2021 no Pantanal, sem surpresas novas, a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus!

 

Por: Armando Arruda Lacerda


Pantaneiro do Paiaguás

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