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Coronavírus: variante P1 já é predominante em Mato Grosso do Sul

A variante do coronavírus denominada P1, que surgiu inicialmente em Manaus, já é predominante em Mato Grosso do Sul, atingindo 82% entre 38 amostras analisadas entre os dias 6 a 9 deste mês. O anúncio foi feito durante reunião que aconteceu na tarde desta quinta-feira (15) na Secretaria de Estado de Saúde (SES) por um grupo de pesquisadores que participou dos trabalhos realizados na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O secretário estadual de Saúde Geraldo Resende recebeu os resultados da pesquisa que constatou a predominância da variante P1.  De acordo com os pesquisadores Júlio Croda, Ana Rita Coimbra Motta-Castro (ambos ligados à Fiocruz e à UFMS) e James Venturini (UFMS), a variante tem as seguintes características: maior transmissibilidade, atinge a população mais jovem, apresenta uma evolução mais rápida da doença e maior gravidade da doença, além de diminuir a efetividade das vacinas.

“A P1 é a variante que domina todos os Estados do Brasil. Isso explica por que tivemos um número elevado de casos e uma necessidade maior de leitos de UTI. Com uma nova variante mais transmissível temos mais pessoas que precisam de hospitalização e mais pessoas vão a óbito. Essa variante também acomete jovens, então aquela história, de antes, de que somente os idosos iriam precisar de leitos de UTI não é mais verdade. Hoje em dia, a maioria das pessoas que estão internadas são de jovens, principalmente por conta da P1, porque ela tem uma carga viral mais elevada”, afirma Júlio Croda.

Reunidos, especialistas avaliam comportamento do vírus e variantes em MS (Foto: Aquirvo SES)

A variante, segundo os pesquisadores, foi identificada em fevereiro deste ano. Com um mês de circulação, no entanto, é a mais presente nas análises do vírus. A descoberta foi possível por meio de um trabalho que realizou o sequenciamento genético do coronavírus, a partir de amostras clínicas por meio de swab nasofaringeano.

O trabalho, denominado “mapeamento genômico de Mato Grosso do Sul” teve como objetivo conhecer as variantes que mais circulam no Estado e, com isso, subsidiar as autoridades sanitárias na adoção de práticas e ações de combate à Covid-19. “Tivemos em nosso Estado a presença de muitas variantes, mas no último mês de março foi muito grande a disseminação da P1”, salienta a pesquisadora Ana Rita Coimbra.

Conquista

A realização do trabalho de sequenciamento genético das amostras de coronavírus somente foi possível após a aquisição, pela UFMS, de um sequenciador de nova geração, que disponibiliza uma das mais modernas tecnologias na área, e que trouxe autonomia para Mato Grosso do Sul, que agora não precisa mais enviar amostras para outros Estados. O Laboratório Central de Mato Grosso do Sul (Lacen-MS) contribuiu com a disponibilização de insumos para a pequisa.

Segundo a secretária-adjunta estadual de Saúde Christine Maymone, a aquisição da tecnologia em Mato Grosso do Sul é uma conquista que vai possibilitar ao governo do Estado, por meio da SES “tomar as melhores decisões possíveis, com embasamento na ciência. O sequenciamento genômico é uma questão muito importante e daqui para frente vai fazer parte da nossa rotina”.

O secretário estadual Geraldo Resende fez um agradecimento a toda a equipe da SES, aos pesquisadores da UFM, à equipe do Lacen-MS e ao governador Reinaldo Azambuja “que nos possibilitou os convênios com todas as instituições que apresentam, à luz da ciência, caminhos para enfrentarmos o coronavírus”.

Participaram da entrega do estudo ao secretário Geraldo Resende os pesquisadores Júlio Croda, Ana Rita Coimbra e James Venturini; a secretária-adjunta da SES Christine Maymone. o diretor do Lacen-MS, Luiz Henrique Ferraz Demarchi; o assessor técnico do Corpo de Bombeiros Militar na SES, coronel Marcello Fraiha; e a superintendente de Vigilância em Saúde,  da SES, Larissa Castilho.

Ricardo Minela, SES

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