
Ex-deputado cobra punição para envolvidos em esquema de propinas no Ceará e denuncia impunidade
Em postagem publicada nesta quarta-feira (9), o ex-procurador da República e deputado cassado Deltan Dallagnol criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) pela suposta diferença de tratamento entre corruptos e manifestantes do 8 de janeiro de 2023.
“O STF é um poodle com os ladrões e um pitbull com quem picha uma estátua. Muitos deputados pedem ‘volta’ de emendas, desviando milhões para o seu bolso dos mais de 30 milhões que gerenciam por ano. A reportagem cita um percentual entre 6 e 12%, mas fala-se de 20%. Para quem rouba, não tem prisão, não tem ação penal em tempo recorde, não tem pena de 14 ou 17 anos. Tem leniência, demora, acordo de não persecução e prescrição… tem impunidade”, escreveu Deltan.
A crítica faz referência à condenação da cabeleireira Débora Rodrigues, sentenciada a 14 anos de prisão por pichar a estátua da Justiça com a frase “Perdeu, Mané” durante os atos do 8 de janeiro.
Operação da PF revela esquema de propinas no Ceará
As declarações de Deltan foram motivadas por nova investigação da Polícia Federal (PF), que apura um esquema de fraudes e desvio de recursos públicos no estado do Ceará. A operação, deflagrada na terça-feira (8), teve como um dos alvos o gabinete do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), localizado na Câmara dos Deputados.
Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Brasília e em cinco cidades cearenses: Fortaleza, Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio. Ao todo, foram 15 mandados autorizados pelo ministro Gilmar Mendes, que também determinou a quebra de sigilo de celulares e o bloqueio de até R$ 54,6 milhões das contas dos investigados.
De acordo com a PF, o grupo investigado desviava cerca de 12% das verbas destinadas a municípios em troca de pagamentos ilegais. Também são acusados de manipular licitações através de empresas vinculadas.
Os crimes apurados incluem:
- Organização criminosa
- Captação ilícita de sufrágio
- Lavagem de dinheiro
- Falsidade ideológica com fins eleitorais
Parlamentares citados na investigação
Além de Júnior Mano, o inquérito também menciona:
- José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara
- Yuri do Paredão (MDB-CE)
- Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-senador
No entanto, nenhum dos três foi alvo direto das medidas autorizadas por Gilmar Mendes.