
Um relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) acende um alerta sobre a fragilidade do Brasil no combate ao tráfico internacional de cocaína. O estudo, que examinou as operações de fiscalização em portos brasileiros, aponta para uma série de deficiências que têm permitido a livre atuação de facções criminosas, transformando o país em uma rota estratégica para o escoamento da droga para a Europa.
De acordo com o TCU, a principal falha reside na falta de coordenação e na ineficácia da fiscalização. O relatório detalha que a atuação de diferentes órgãos, como a Polícia Federal, a Receita Federal e as autoridades portuárias, ocorre de forma desarticulada, com pouca troca de informações e duplicação de esforços. Além disso, a carência de equipamentos modernos, como scanners de alta tecnologia, e o número insuficiente de agentes contribuem para a ineficiência das inspeções.
A estrutura logística dos portos, desenhada para agilizar o fluxo de cargas, é explorada pelas organizações criminosas. As cargas de exportação, que deveriam ser rigorosamente checadas, muitas vezes passam por uma fiscalização superficial. O relatório também destaca a vulnerabilidade de contêineres que ficam por longos períodos nos pátios portuários, facilitando a contaminação com a droga sem que haja um controle efetivo.
A conclusão do TCU é clara: enquanto o Brasil não investir em tecnologia, capacitação e, principalmente, em uma integração real entre os órgãos de segurança, a luta contra o narcotráfico em seus portos continuará sendo um desafio quase intransponível.
Da redação Midia News