
O avanço do sorgo na segunda safra em Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas uma alternativa emergencial para momentos de aperto climático e passou a integrar, de forma estratégica, o planejamento produtivo dos agricultores. Em apenas cinco safras, a área cultivada no Estado saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares, crescimento superior a 7.700%, segundo dados do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta gerida pelo Governo do Estado por meio da Semadesc, em parceria com a Aprosoja.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o movimento não é casual. “Não se trata de uma escolha pontual, é uma decisão estratégica. O produtor está respondendo diretamente à demanda de mercado, especialmente das usinas de etanol de milho instaladas no Estado”, afirma.
Os levantamentos do SIGA mostram que a virada mais clara ocorre a partir da safra 2021/2022, quando o sorgo começa a ganhar escala e ocupar áreas maiores. Após ajustes naturais, a cultura volta a avançar com força na safra 2024/2025, praticamente dobrando de tamanho. A expansão é mais intensa justamente em regiões onde o milho enfrenta maiores limitações climáticas ou restrições de janela de plantio, como Ponta Porã, Maracaju, Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.
Para Verruck, esse comportamento confirma que o sorgo passou a ser ferramenta de gestão de risco. “Em áreas com maior exposição ao clima e menor segurança produtiva, o sorgo reduz perdas e garante estabilidade financeira”, destaca.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, reforça que a consolidação das usinas de etanol de cereais foi decisiva para a mudança de cenário. “Antes, a cultura esbarrava na falta de mercado estruturado. Hoje, há contratos, previsibilidade, escala e logística, o que dá segurança ao produtor para investir”, explica.
Além da resistência às intempéries climáticas e a problemas sanitários, o sorgo se encaixa melhor em áreas marginais, onde o milho teria desempenho mais limitado. Com isso, a cultura vem se firmando como alternativa viável e economicamente sustentável para a segunda safra em Mato Grosso do Sul.

No cenário nacional, as projeções da Conab indicam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores do país. Para Verruck, o exemplo do Estado mostra que quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, o desenvolvimento se consolida. “As usinas de etanol cumprem papel estratégico ao integrar produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo as cadeias locais e ampliando o uso eficiente do solo”, conclui.
Da redação Mídia News





