Mortes por overdose nos EUA caem 21% no primeiro ano do governo Trump
Dados oficiais indicam reversão histórica de uma crise que se agravava há mais de três décadas

As mortes por overdose nos Estados Unidos registraram uma queda expressiva de 21% no período de 12 meses encerrado em agosto de 2025, marcando o primeiro ano do novo governo de Donald Trump. O recuo representa um ponto de inflexão relevante em uma crise de drogas que vinha se intensificando de forma contínua desde a década de 1990.
De acordo com dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o número anual de óbitos caiu de cerca de 92 mil para aproximadamente 73 mil. A redução foi observada na ampla maioria dos estados norte-americanos, sinalizando uma tendência nacional de retração das mortes associadas ao consumo de entorpecentes.
Segundo o CDC, apenas cinco estados — Arizona, Havaí, Kansas, Novo México e Dakota do Norte — não apresentaram queda significativa, mantendo números estáveis ou com leve aumento. Ainda assim, o panorama geral contrasta fortemente com o avanço contínuo da crise observado ao longo das últimas três décadas.
Uma crise que se arrastava há gerações
O aumento das mortes por overdose teve início nos anos 1990, impulsionado inicialmente pelo uso excessivo de analgésicos opioides prescritos. Com o passar dos anos, o problema se agravou com a expansão do consumo de heroína e, posteriormente, do fentanil — um opioide sintético extremamente potente.
O ápice da crise ocorreu em 2022, quando os Estados Unidos registraram quase 110 mil mortes relacionadas a overdoses. Em 2023, os números começaram a recuar de forma discreta, tendência que se intensificou em 2024 e se consolidou ao longo de 2025.
Especialistas apontam múltiplos fatores
Pesquisadores afirmam que ainda não há uma explicação única para a queda consistente dos óbitos. Entre os fatores apontados estão:
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Ampliação do acesso à naloxona, medicamento capaz de reverter overdoses;
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Expansão de programas de tratamento para dependência química;
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Mudanças no padrão de consumo de drogas ilícitas;
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Impacto de bilhões de dólares pagos por fabricantes e distribuidores de opioides em ações judiciais.
Além disso, especialistas avaliam que políticas mais rígidas de combate ao narcotráfico, adotadas pelo governo Trump, podem ter contribuído para consolidar a tendência de queda, ainda que o movimento tenha começado antes do atual mandato.
Queda no fornecimento de fentanil foi decisiva
Estudo publicado pela revista Science aponta que a redução abrupta no fornecimento de fentanil teve papel central na diminuição das mortes. Segundo os pesquisadores, restrições impostas pela China à exportação de substâncias químicas usadas na fabricação da droga provocaram um “choque de oferta” a partir de 2023.
Esse fenômeno reduziu tanto a disponibilidade quanto a potência do fentanil no mercado ilegal da América do Norte, impactando diretamente os índices de mortalidade.
Pandemia também influenciou os números
Outra linha de análise associa o aumento anterior das mortes aos efeitos econômicos da pandemia. Um estudo da Universidade de Pittsburgh, publicado no International Journal of Drug Policy, sugere que os auxílios financeiros distribuídos durante a crise sanitária podem ter contribuído para o aumento temporário do consumo de drogas, elevando artificialmente os índices nos anos anteriores.
Com o fim desses estímulos e a normalização da economia, os números teriam retornado a um patamar mais baixo, reforçando a tendência de queda observada atualmente.
Da redação Mídia News





