Trump convida Lula, Milei e outros líderes para conselho que governará a Faixa de Gaza
Iniciativa dos Estados Unidos prevê órgão internacional para administrar o território palestino após guerra; proposta inclui cobrança bilionária aos países-membros e gera reação de Israel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros chefes de Estado para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão internacional que deverá supervisionar a administração da Faixa de Gaza no pós-guerra. A informação foi confirmada por integrantes do Itamaraty após publicação inicial do site ICL Notícias. O convite ao Brasil foi encaminhado na sexta-feira (16) à embaixada brasileira em Washington.
Além de Lula, também foram convidados os presidentes da Argentina, Javier Milei; da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; do Paraguai, Santiago Peña; e do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, além do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a decisão de aceitar ou não o convite.
O presidente argentino foi o primeiro a se pronunciar publicamente. Em postagem na rede X, Milei divulgou uma imagem do convite e afirmou ser uma honra participar, como membro fundador, do Conselho da Paz. Alinhado politicamente a Trump, ele declarou que a Argentina estará ao lado de países que, segundo ele, combatem o terrorismo e defendem a liberdade. O governo paraguaio também confirmou adesão, enquanto o Canadá indicou disposição em participar.
O conselho será presidido pelo próprio Trump e integra a segunda fase do plano de paz dos Estados Unidos para o Oriente Médio, apresentado em setembro de 2025 e aprovado posteriormente pelo Conselho de Segurança da ONU. O grupo terá autoridade sobre o governo tecnocrático da Faixa de Gaza e ficará acima do Comitê Nacional para o Governo de Gaza, liderado por Ali Shaath, ex-ministro da Autoridade Palestina.
Segundo informações da agência Bloomberg, os países com assento permanente no conselho deverão contribuir com ao menos US$ 1 bilhão. As decisões serão tomadas por maioria, mas dependerão de aval final do presidente americano.
A iniciativa, porém, gerou reação negativa em Israel. O gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que o plano contraria a política israelense para a região. O governo israelense informou que levará o tema ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
A criação do conselho marca uma mudança significativa na política americana para Gaza. Em 2025, Trump chegou a afirmar que os EUA assumiriam diretamente o controle do território, declaração que havia sido relativizada posteriormente. Agora, o plano prevê administração internacional, força militar de estabilização e o desarmamento do Hamas — ponto que segue como principal entrave, já que o grupo condiciona a entrega das armas à criação de um Estado palestino.
Lula, por sua vez, tem adotado postura crítica em relação às ações de Israel no conflito, classificando-as como genocídio, o que já provocou atritos diplomáticos com Tel Aviv. A eventual participação do Brasil no conselho pode ampliar o protagonismo do país no debate internacional, mas também tende a gerar novos desafios diplomáticos.
Da redação Midia News





