
Investigações divulgadas nesta semana trouxeram novos elementos ao debate sobre a relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contratos firmados pelo Ministério da Saúde com empresas que mantêm vínculos indiretos com o Banco Master. No centro das apurações estão acordos que totalizam R$ 303,6 milhões, celebrados em 2024, para a produção e o fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo reportagem do Poder360, os contratos foram firmados com a empresa de biotecnologia Biomm, que tem entre seus principais acionistas o fundo de investimentos Cartago. O fundo é ligado ao Banco Master e detém 25,86% das ações da companhia, o que torna Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, o maior acionista individual indireto da Biomm.
Além do fundo Cartago, a estrutura societária da Biomm inclui nomes de peso, como o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e a BNDESPar, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A presença desses atores reforça a dimensão política e econômica do caso, que passou a ser associado ao escândalo bilionário envolvendo o Banco Master, atualmente alvo de investigações e disputas judiciais.
Os contratos questionados dizem respeito à produção nacional de insulina para abastecimento do SUS, considerada estratégica para reduzir a dependência de importações. Em abril de 2024, o presidente Lula participou da inauguração da fábrica da Biomm em Nova Lima, Minas Gerais, dedicada à fabricação do medicamento. Embora Daniel Vorcaro não tenha comparecido ao evento, outros acionistas e autoridades estiveram presentes.
Em resposta às reportagens, o Ministério da Saúde afirmou, em nota enviada à Gazeta do Povo, que a parceria com a Biomm teve início em 2013, portanto antes da entrada do fundo Cartago na composição acionária. A pasta sustenta que todos os contratos seguiram rigorosamente a Lei de Licitações e que a empresa venceu os pregões por apresentar o menor preço.
“O fornecimento ocorreu dentro do prazo e da qualidade estabelecidos em contrato”, informou o ministério. Apesar da explicação oficial, o caso segue alimentando debates sobre governança, conflitos de interesse e transparência na relação entre o setor público e grupos financeiros com forte influência no mercado nacional.
Da redação Mídia News





