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Diretor de hospital em Gaza e colunista do New York Times é apontado como coronel do Hamas

Documentos, imagens e registros em árabe indicam que Hussam Abu Safiya integra o Serviço Médico Militar do grupo; vínculos não teriam sido informados em reportagens e artigos internacionais

Pesquisadores independentes e organizações de monitoramento afirmam que Hussam Abu Safiya, pediatra e diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, ocupa a patente de coronel no Serviço Médico Militar do Hamas. O médico também publicou artigos de opinião no The New York Times nos quais acusa Israel de genocídio, sem mencionar, segundo críticos, sua suposta posição no grupo.

Uma fotografia datada de 2016, divulgada pela NGO Monitor, mostra Abu Safiya em uma reunião com dirigentes do Hamas vestindo uniforme militar. A imagem teria sido originalmente publicada na página do Facebook do Serviço Médico Militar do grupo e posteriormente repercutida pela imprensa internacional. O registro faz referência a uma cerimônia relacionada às obras do Hospital Kamal Adwan, com a presença de líderes das forças de segurança do Hamas e de sua estrutura médica.

Abu Safiya foi detido por Israel em dezembro de 2024 durante uma operação no hospital, quando cerca de 240 pessoas foram presas. Autoridades israelenses alegam que a unidade de saúde vinha sendo utilizada como centro de comando e para atividades militares do Hamas. A prisão do médico foi noticiada por veículos e organizações internacionais, entre elas Anistia Internacional, BBC e Al Jazeera, sem, segundo a ONG israelense, informar ao público sua suposta patente no grupo armado. A Anistia chegou a lançar campanha por sua libertação, descrevendo-o como profissional da saúde detido arbitrariamente.

Fontes em língua árabe reunidas por pesquisadores também indicariam que Abu Safiya é tratado como “coronel” em publicações oficiais do Serviço Médico de Gaza. Há ainda menções a postagens em redes sociais atribuídas ao médico celebrando os ataques de 7 de outubro de 2023 e incitando violência contra judeus, o que reforçaria, segundo analistas, seus vínculos ideológicos com o Hamas.

O debate sobre o uso militar do Hospital Kamal Adwan ganhou novos contornos após declarações atribuídas a outro diretor da unidade, Ahmed Kahlot, que teria confessado a autoridades israelenses que o hospital foi convertido em instalação militar. O caso foi noticiado pelo Times of Israel.

No fim de 2025, Abu Safiya recebeu cidadania honorária da cidade de Lyon, concedida pelo prefeito Grégory Doucet, decisão que gerou reações críticas após a divulgação das acusações. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel confirmou que o médico é considerado integrante proeminente do Hamas.

Da redação Midia News

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