Ditador da Bielorrússia diz estar disposto a “ajudar” Lula nas eleições de 2026
Declaração de Aleksandr Lukashenko, no poder desde 1994, provoca reação diplomática e reacende debate sobre política externa brasileira
O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, afirmou estar disposto a colaborar para que as eleições brasileiras de outubro de 2026 ocorram em um “ambiente pacífico e tranquilo” e manifestou, de forma explícita, o desejo de que Luiz Inácio Lula da Silva permaneça no comando do país. A declaração foi feita durante encontro realizado nesta segunda-feira (2), em Minsk, com o embaixador do Brasil no país, Bernard Klingl.
No poder desde julho de 1994, Lukashenko é considerado o líder europeu há mais tempo no cargo e mantém uma relação estreita com o presidente russo Vladimir Putin. Durante a conversa, o chefe do regime bielorrusso comentou o cenário político brasileiro, classificando-o como desafiador, e afirmou que, se solicitado, seu governo faria “todo o possível” para garantir que o processo eleitoral ocorra “no interesse do povo brasileiro”.
A fala ganhou repercussão imediata por partir de um dirigente internacionalmente acusado de conduzir eleições fraudulentas e de manter um sistema político marcado por repressão e ausência de liberdades democráticas. Desde 2001, organismos como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e o Departamento de Estado dos Estados Unidos deixaram de reconhecer a legitimidade dos pleitos realizados na Bielorrússia, citando intimidação de eleitores, falta de transparência na contagem de votos e perseguição a opositores.
Relatórios internacionais também apontam censura sistemática à imprensa independente, repressão violenta a protestos e prisões arbitrárias de críticos do regime. De acordo com dados do Centro de Direitos Humanos Viasna, o país mantém atualmente ao menos 1.152 presos políticos. Desde os protestos de 2020, milhares de cidadãos bielorrussos foram forçados ao exílio.
No plano diplomático, as declarações surgem em um momento sensível para o governo brasileiro. Embora o Itamaraty ainda não tenha se manifestado oficialmente, a sinalização de apoio por parte de um regime autoritário tende a gerar críticas internas e externas. Parlamentares da oposição devem explorar o episódio para questionar os rumos da política externa do Brasil, especialmente no contexto de sua atuação no Brics e do equilíbrio diplomático frente às pressões de potências ocidentais.
Especialistas avaliam que a “oferta de ajuda” de Lukashenko pode ampliar o debate sobre a imagem internacional do Brasil e sobre os limites das alianças estratégicas adotadas pelo governo, em um cenário global marcado por crescente polarização geopolítica.
Da redação Mídia News




