A Polícia Civil de São Paulo instaurou investigação para apurar uma denúncia de furto envolvendo Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002 e atualmente em regime aberto. A acusação foi formalizada em boletim de ocorrência registrado no dia 3 de fevereiro por Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima de Suzane e companheira de Miguel Abdalla Neto, tio da investigada, encontrado morto em 9 de janeiro deste ano.
Segundo o registro policial, Carmem alega que Suzane teria se apropriado de bens pertencentes ao espólio do falecido antes da abertura e definição formal do inventário, sem autorização judicial. O caso é apurado no 27º Distrito Policial, no bairro Campo Belo, zona sul da capital paulista, e tramita oficialmente desde 20 de janeiro.
De acordo com o boletim, Suzane teria reconhecido no processo de inventário que retirou e manteve sob sua posse diversos objetos que integrariam a herança. Entre os itens listados estão um automóvel Subaru prata, ano 2021, além de eletrodomésticos, móveis e uma bolsa contendo documentos pessoais e dinheiro. A denúncia sustenta que a retirada ocorreu sem respaldo legal e antes da nomeação de um inventariante.
Em sua defesa preliminar, Suzane afirmou às autoridades que teria soldado o portão da residência do tio com o objetivo de proteger o patrimônio, alegando receio de invasões e furtos. Ela também sustenta que parte dos bens poderia lhe caber por direito sucessório, por ser parente consanguínea próxima do falecido.
A investigação criminal ocorre paralelamente a uma disputa judicial pelo inventário de Miguel Abdalla Neto, cujo patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões. A Vara de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro analisa pedidos conflitantes para a definição de quem será o inventariante. Suzane reivindica prioridade na função por laço sanguíneo, enquanto Carmem afirma ter mantido união estável por aproximadamente 14 anos com o médico, o que, segundo ela, lhe garantiria direitos sucessórios.
Miguel Abdalla Neto foi responsável pela tutela de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, após o assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen, ocorrido em outubro de 2002.
A nova apuração pode impactar diretamente o regime aberto concedido a Suzane em janeiro de 2023. Segundo o advogado criminalista Gustavo Henrique Moreno Barbosa, o Superior Tribunal de Justiça admite a regressão cautelar de regime caso haja indícios robustos de autoria e materialidade. Ele ressalta, porém, que a caracterização do crime de furto depende da comprovação de dolo, ou seja, da intenção de apropriação indevida, o que ainda será avaliado no curso da investigação.
Da redação Mídia News



