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Guerra no Oriente Médio entra na terceira semana com tensão global e risco ao petróleo

Mesmo após duas semanas de ofensiva, os Estados Unidos afirmam ter enfraquecido o Irã, enquanto ataques, ameaças e impactos no mercado de energia mantêm o conflito em escalada na região.

Duas semanas após o início da guerra no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua afirmando que o Irã está “completamente derrotado”. No entanto, a continuidade de ataques, ameaças e tensões militares na região indicam que o conflito permanece ativo e com potencial de escalada.

Na sexta-feira (13), forças americanas realizaram ataques contra alvos militares na ilha iraniana de Ilha de Kharg, localizada no norte do Golfo Pérsico, a cerca de 30 quilômetros da costa do Irã. O local abriga o principal terminal petrolífero do país, responsável por aproximadamente 90% das exportações de petróleo iranianas.

Segundo autoridades militares dos Estados Unidos, mais de 90 alvos militares foram atingidos na ilha, embora as instalações petrolíferas tenham sido poupadas. A decisão reflete o dilema enfrentado pela Casa Branca: destruir a infraestrutura energética do Irã poderia enfraquecer significativamente o regime, mas também elevar ainda mais o preço do petróleo no mercado internacional.

Nos últimos dias, o barril chegou a atingir cerca de US$ 120, o maior valor em quatro anos. A disparada no preço do petróleo já pressiona a inflação global e pode gerar consequências políticas para Trump, especialmente com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.

Estreito de Hormuz vira ponto crítico da guerra

Outro fator de preocupação internacional é o bloqueio do estratégico Estreito de Hormuz pelo Irã. A passagem marítima é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta, por onde circula entre 20% e 25% do petróleo mundial.

Relatórios de segurança marítima indicam que pelo menos 16 navios foram atacados na região do Golfo da Arábia, no estreito de Hormuz e no Golfo de Omã desde o início do conflito.

Trump afirmou que a Marinha dos Estados Unidos deverá iniciar escoltas militares a petroleiros na região “muito em breve”, com o objetivo de garantir a segurança da navegação. O presidente também pediu que aliados internacionais — como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido — enviem navios de guerra para ajudar a manter a rota marítima aberta.

Irã ameaça destruir infraestrutura energética

Após os ataques em Kharg, autoridades militares iranianas reagiram com ameaças diretas a países do Golfo que possuam relações econômicas com Washington.

Um porta-voz do comando operacional iraniano, vinculado à Guarda Revolucionária, declarou que instalações petrolíferas e energéticas de empresas ligadas aos Estados Unidos na região poderão ser “reduzidas a cinzas” caso o Irã seja alvo de novos ataques.

A tensão já produziu efeitos concretos. Nos Emirados Árabes Unidos, destroços de um drone iraniano interceptado atingiram o porto petrolífero de Porto de Fujairah, uma das maiores estruturas energéticas do Oriente Médio.

Conflito se expande para outros países

O conflito também atinge outros pontos da região. No Líbano, ataques de Hezbollah contra Israel ampliaram a guerra após o grupo lançar mísseis em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia da ofensiva israelense e americana.

Desde então, Israel intensificou bombardeios no território libanês, elevando o número de mortos para 773, segundo autoridades locais.

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu negociações diretas entre Israel e o Líbano e se ofereceu para sediar conversas de cessar-fogo em Paris. O objetivo seria evitar que o país mergulhe em uma crise humanitária e política ainda maior.

Enquanto isso, ataques também foram registrados no Iraque e no Golfo. A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá foi alvo de drones, e o Catar afirmou ter interceptado dois mísseis sobre a capital Doha.

Diante da escalada, Washington iniciou a retirada de funcionários não essenciais de sua embaixada em Omã e prepara o envio de reforços militares para o Oriente Médio, incluindo cerca de 2.500 fuzileiros navais e navios adicionais.

Analistas avaliam que, apesar das declarações de vitória por parte dos Estados Unidos, o cenário aponta para um conflito ainda longe de terminar, com riscos diretos para a segurança energética mundial e para a estabilidade geopolítica da região.

Da redação Mídia News

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