
A partir de 26 de maio de 2026, empresas brasileiras passam a enfrentar uma nova exigência legal que promete impactar diretamente a forma como a gestão organizacional é conduzida. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) torna obrigatória a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, com possibilidade de fiscalização e aplicação de multas pelo Ministério Público do Trabalho.
Para a especialista em desenvolvimento humano corporativo, Nívea Lorena, o tema ainda é negligenciado pela maioria das organizações, que seguem focadas apenas em indicadores visíveis como metas, produtividade e entregas.
“Existe uma tendência perigosa de olhar apenas para o que aparece nos relatórios, mas o que mais impacta o resultado está nas entrelinhas: clima organizacional, relações interpessoais e como as pessoas se sentem no ambiente de trabalho”, explica.
Segundo ela, riscos psicossociais incluem fatores como falta de autonomia, liderança despreparada, relações desgastadas, jornada excessiva, sobrecarga de trabalho e assédio. Embora silenciosos, esses elementos têm efeitos acumulativos que podem resultar em adoecimento emocional, presenteísmo, queda de performance, afastamentos e aumento de passivos trabalhistas.
Nívea Lorena reforça que a discussão vai além do cuidado com as pessoas e entra diretamente no campo estratégico do negócio.
“Ambientes emocionalmente inseguros reduzem a capacidade cognitiva das pessoas. Não é falta de vontade de performar, é incapacidade de sustentar alta performance sob estresse contínuo. Isso impacta diretamente os resultados da empresa”, afirma.
A especialista destaca que o gerenciamento de riscos psicossociais deve ser visto como investimento, não custo. Entre os principais benefícios estão a redução de afastamentos, aumento da produtividade, retenção de talentos, diminuição do turnover e melhoria do clima organizacional.
“Não se trata de escolher entre cuidar das pessoas ou gerar lucro. Uma coisa sustenta a outra. Empresas emocionalmente saudáveis performam mais”, pontua.
Com a nova exigência da NR-1, o que antes era uma escolha estratégica passa a ser também uma obrigação legal, elevando o nível de urgência para implementação de ações concretas.
Nívea Lorena orienta que as empresas comecem por cinco frentes principais:
- Desenvolvimento da liderança, com foco no impacto comportamental sobre as equipes
- Clareza de papéis, metas e prioridades para reduzir ansiedade e insegurança
- Criação de ambientes com segurança psicológica real
- Avaliação da carga de trabalho e ajuste de expectativas
- Desenvolvimento prático de inteligência emocional no dia a dia corporativo
Ela ainda faz um alerta sobre a normalização do cansaço extremo nas organizações.
“Frases como ‘aqui é assim mesmo’ são sinais claros de risco psicossocial instalado. Não existe resultado sustentável em um ambiente emocionalmente insustentável.”
Para a especialista, empresas que se anteciparem a esse movimento terão vantagem competitiva no mercado.
“No fim, a pergunta é simples: o ambiente de trabalho está potencializando as pessoas ou drenando elas todos os dias?”
Sobre a especialista
Nívea Lorena é especialista em desenvolvimento humano corporativo, com atuação focada em saúde mental no trabalho, desenvolvimento de lideranças e transformação comportamental de equipes, conectando performance organizacional com sustentabilidade emocional.
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