
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, nesta quarta-feira (10), um projeto de lei que determina que todas as escolas públicas e privadas do estado mantenham ao menos um exemplar do livro Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, nos acervos das instituições de ensino. A proposta foi analisada e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) do Legislativo paulista, sendo agora encaminhada para tramitação em outras comissões da Casa antes da votação em plenário.
De autoria da deputada estadual Professora Bebel (PT), o projeto argumenta que a obra é fundamental para a compreensão da história recente do Brasil ao retratar a experiência pessoal do autor durante a ditadura militar e o destino de seu pai, o deputado Rubens Paiva, morto em 1971. A justificativa apresentada no texto ressalta a importância da obra como instrumento de reflexão nas escolas.
O livro, publicado originalmente em 2015, voltou a ganhar destaque após sua adaptação cinematográfica em 2024, dirigida por Walter Salles e estrelada por Fernanda Torres e Selton Mello, que foi premiada com o Oscar de Melhor Filme Internacional, ampliando o debate público sobre o período autoritário brasileiro e sua memória.
A aprovação na comissão não ocorreu isoladamente: em conjunto com o projeto que trata de Ainda Estou Aqui, os parlamentares também aprovaram outra proposta, do deputado Tenente Coimbra (PL), que institui a obrigatoriedade de instalação de aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula das escolas públicas estaduais, como forma de enfrentar condições climáticas adversas e melhorar o ambiente educacional.
A iniciativa da Alesp insere-se num movimento mais amplo de discussão sobre o currículo escolar e a promoção de temas ligados à cidadania e à história, com defensores da medida argumentando que a leitura da obra pode fortalecer o entendimento dos estudantes sobre períodos marcantes da trajetória nacional. A oposição ou críticas à proposta também se manifestam em setores que questionam a natureza de conteúdos que deveriam ser obrigatórios no ambiente escolar, mas ainda não produziram impacto suficiente para alterar o rito legislativo da proposta.
Da redação Mídia News

