O engenheiro brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato da ex-namorada, Bruna Fonseca, de 28 anos, na cidade de Cork, na Irlanda. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (23) por um júri do Central Criminal Court, que levou pouco mais de uma hora para considerar o réu culpado pelo crime, ocorrido em 1º de janeiro de 2023.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Irish Times, Bruna foi morta por estrangulamento dentro do apartamento de Pacheco. A sentença encerra um processo que teve grande repercussão no país europeu e no Brasil, principalmente pela brutalidade do crime e pelo histórico de conflitos no relacionamento.
Segundo os autos, o casal manteve um relacionamento por cerca de cinco anos, encerrado em janeiro de 2022. Mesmo após o término, Bruna continuava preocupada com o estado emocional do ex-companheiro, que apresentava comportamento instável e ameaçava tirar a própria vida. Testemunhos apresentados ao júri indicaram que a jovem tentava ajudá-lo, incentivando-o a buscar acompanhamento psiquiátrico.
No dia do crime, conforme apurado pela investigação, Bruna chegou a retirar uma faca das mãos de Miller, temendo que ele atentasse contra a própria vida. Pouco tempo depois, ela foi assassinada.
Durante a leitura da sentença, a juíza Siobhán Lankford destacou como elemento central do processo uma gravação feita pela vítima dias antes da morte. No áudio, Bruna afirmava de forma categórica que sua vida não poderia ser tratada como objeto de posse. “Minha vida não é um troféu. Não é uma disputa. Ninguém tem direito sobre ela além de mim”, disse a magistrada ao reproduzir o conteúdo em plenário.
A família da vítima acompanhou o julgamento e se manifestou por meio da irmã, Izabel Fonseca, que prestou um depoimento emocionado. Ela relatou que a notícia da morte chegou na madrugada do primeiro dia do ano, enquanto a família celebrava o réveillon no Brasil. “Perdemos o chão. Bruna tinha sonhos, planos e uma vida inteira pela frente”, afirmou.
Izabel também descreveu o relacionamento como marcado por manipulação emocional, no qual a jovem assumia responsabilidades que não lhe cabiam. A família agradeceu ainda à polícia irlandesa pelo trabalho realizado ao longo das investigações.
A defesa de Miller Pacheco informou que não irá recorrer da decisão. O advogado Ray Boland declarou aceitar o veredicto e pediu desculpas à família da vítima. Do lado de fora do tribunal, parentes de Bruna afirmaram que nenhum pedido é capaz de reparar a perda.
Da redação Mídia News



