Colômbia produz hoje 22 vezes mais cocaína do que na era Pablo Escobar
Relatórios internacionais apontam recorde histórico na produção da droga, impulsionado pela expansão das lavouras de coca e pela atuação de novos cartéis

A Colômbia vive um paradoxo histórico no combate ao narcotráfico. Três décadas após a morte de Pablo Escobar e o desmantelamento do Cartel de Medellín, o país registra hoje níveis de produção de cocaína até 22 vezes maiores do que os observados no auge do poder do narcotraficante. O dado, revelado por levantamentos de organismos internacionais e agências antidrogas, evidencia que, apesar das sucessivas ofensivas do Estado, o narcotráfico não apenas sobreviveu, como se sofisticou e se expandiu.
Especialistas apontam que a pulverização dos grandes cartéis deu lugar a uma rede fragmentada de grupos criminosos, mais flexíveis e difíceis de rastrear. Essas organizações operam em parceria com facções locais, guerrilhas dissidentes e até estruturas do crime transnacional, ampliando rotas de exportação para a América Central, México, Europa e África.
Outro fator decisivo é o crescimento contínuo das áreas cultivadas com folha de coca. Regiões antes consideradas secundárias passaram a integrar o mapa do narcotráfico, beneficiadas por falhas na presença do Estado, pobreza estrutural e falta de alternativas econômicas para comunidades rurais. A combinação de alta demanda internacional, tecnologia aprimorada para refino e logística mais eficiente contribuiu para o salto produtivo.
Autoridades colombianas reconhecem a gravidade do cenário e defendem uma abordagem que vá além da repressão armada, com investimentos em desenvolvimento social, substituição de cultivos e cooperação internacional. Ainda assim, analistas alertam que os resultados são lentos e enfrentam resistência de grupos que lucram bilhões com o comércio ilegal.
O contraste é marcante: se nos anos 1980 o nome de Pablo Escobar simbolizava o terror e a ostentação do narcotráfico, hoje o negócio opera de forma mais discreta, porém em escala muito maior. Para especialistas, a realidade atual demonstra que o fim de um grande líder criminoso não significa, necessariamente, o enfraquecimento do mercado de drogas — apenas sua transformação.
Da redação Mídia News

