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Corrupção e má gestão: por que a Venezuela produz menos petróleo que o Brasil

Enquanto reservas gigantes dormem sob o solo, produção venezuelana despenca e Brasil avança com campos offshore

A Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo — cerca de 303 bilhões de barris estimados — mas produz hoje uma fração do que já extraiu e muito menos que países como o Brasil, que apesar de reservas menores consegue extrair e refinar volumes bem superiores. Especialistas apontam uma combinação de corrupção sistêmica, má gestão das estatais, infraestrutura deteriorada e falta de investimento como principais razões para o esmagador contraste na produção de petróleo entre os dois países.

A estatal venezuelana PDVSA, responsável pela maior parte da extração e exportação de petróleo, foi historicamente usada como instrumento político, com contratações e promoções baseadas na lealdade ao governo em vez de competência técnica. Essa prática, amplamente documentada, inflou a empresa com pessoal sem experiência adequada, enquanto receitas que poderiam financiar manutenção e modernização eram desviadas para outros fins.

Outro fator chave é a deterioração da infraestrutura. Refinarias, oleodutos e plataformas petrolíferas — muitas delas construídas décadas atrás — sofreram com manutenção reduzida e falta de tecnologia de ponta. Episódios recorrentes de derramamentos e paradas não planejadas ilustram o estado frágil dos ativos nacionais. Além disso, o tipo de petróleo venezuelano — extra-pesado e rico em enxofre — demanda processos mais complexos de extração e refino, dificultando a produção em larga escala sem investimentos vultosos.

A saída de grandes companhias internacionais após a nacionalização do setor no início dos anos 2000 contribuiu para a perda de expertise e capital. Sem acesso a financiamento externo e com a imposição de sanções internacionais que restringiram exportações e parcerias comerciais, o setor entrou em espiral de queda. Hoje a Venezuela produz menos de um terço do que extraiu em seus anos de auge, enquanto o Brasil — com investimentos em exploração offshore e um ambiente de negócios relativamente mais estável — alcança produção diária que supera Países com reservas menores.

Analistas ressaltam que sem reformas profundas para combater a corrupção, reconstruir a infraestrutura e atrair investimentos estrangeiros, a Venezuela dificilmente verá sua produção de petróleo recuperar níveis comparáveis aos de outras potências regionais como o Brasil.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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