Cuba cancela festival de charutos em meio à crise energética e falta de combustível
Evento milionário que impulsiona a economia e financia o sistema de saúde é adiado sem nova data definida

O governo de Cuba anunciou o adiamento da edição de 2026 do tradicional Festival del Habano, um dos eventos mais importantes da economia e da cultura do país, em razão da grave crise energética que atinge a ilha. A decisão foi comunicada aos participantes neste sábado (14), sem previsão para uma nova data.
Previsto para ocorrer entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o festival reúne anualmente empresários, colecionadores e apreciadores de charutos premium de diversas partes do mundo. No entanto, o agravamento da escassez de combustível e os apagões frequentes inviabilizaram a realização do evento.
Mais do que um encontro cultural, o Festival del Habano representa uma importante fonte de receita para Cuba. O leilão realizado durante o evento costuma movimentar milhões de dólares com a venda de charutos e itens de luxo. Em 2025, por exemplo, foram arrecadados cerca de 16,4 milhões de euros, valores oficialmente destinados ao financiamento do sistema de saúde cubano.
A suspensão do festival evidencia os impactos diretos da crise energética sobre setores estratégicos da economia. Cuba enfrenta dificuldades severas no abastecimento de petróleo, essencial para a geração de energia elétrica e funcionamento de serviços básicos. A situação se agravou após a interrupção de fornecimentos por parte da Venezuela e do México, além da intensificação de pressões externas lideradas pelos Estados Unidos.
Com a escassez de combustível, o país registra apagões prolongados, que chegam a durar mais de 20 horas em algumas regiões, além de afetar diretamente o turismo e o transporte. Companhias aéreas reduziram voos, enquanto hotéis e serviços operam com limitações para economizar energia.
Os charutos cubanos, considerados um dos produtos mais emblemáticos da ilha, têm forte demanda internacional, especialmente no mercado europeu, e são uma das principais fontes de entrada de moeda estrangeira. A ausência do festival, portanto, representa não apenas uma perda simbólica, mas também um impacto econômico relevante.
Diante do cenário, o adiamento do evento reforça a gravidade da crise enfrentada por Cuba, que já afeta diretamente o cotidiano da população e compromete atividades econômicas fundamentais. Sem uma solução imediata para o fornecimento de energia e combustível, a tendência é de que os impactos se intensifiquem nos próximos meses.
Da redação Mídia News




