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Estudo aponta possível ligação entre bactéria da pneumonia e progressão do Alzheimer

Pesquisa identifica presença de microrganismo no cérebro e na retina e sugere papel na inflamação associada à doença

Um estudo científico recente trouxe novos indícios sobre a relação entre infecções e doenças neurodegenerativas. Pesquisadores identificaram que a bactéria Chlamydia pneumoniae, comumente associada a infecções respiratórias como pneumonia e sinusite, pode estar envolvida na progressão do Alzheimer ao estimular processos inflamatórios no organismo.

A pesquisa foi publicada em janeiro de 2026 na revista científica Nature Communications e conduzida por cientistas que investigaram a presença do microrganismo em tecidos humanos. Os resultados apontam que a bactéria foi encontrada tanto na retina quanto no cérebro de pacientes diagnosticados com Alzheimer.

Conexão entre pulmão, retina e cérebro

Embora a Chlamydia pneumoniae seja tradicionalmente ligada ao sistema respiratório, o estudo indica que ela pode ultrapassar essas barreiras e atingir o sistema nervoso central. A presença prolongada da bactéria nesses tecidos foi associada à inflamação crônica, um dos fatores-chave na progressão do Alzheimer.

A retina, por ser uma extensão do sistema nervoso central, surge como uma possível ferramenta para detecção precoce da doença. A análise retiniana pode permitir a identificação de alterações sem a necessidade de procedimentos invasivos no cérebro.

Evidências em pacientes

Os pesquisadores analisaram amostras de 104 indivíduos, incluindo pessoas saudáveis, com comprometimento cognitivo leve e com Alzheimer. Os dados revelaram que pacientes com a doença apresentavam maior concentração da bactéria, tanto na retina quanto no cérebro.

Além disso, foram observadas associações relevantes, como:

  • Relação entre maior carga bacteriana e pior desempenho cognitivo

  • Aumento de marcadores inflamatórios

  • Intensificação da degeneração neuronal

Outro achado importante foi a maior incidência da bactéria em indivíduos com a variante genética APOE4, conhecida por elevar o risco de desenvolvimento do Alzheimer.

Mecanismo inflamatório

Testes laboratoriais reforçaram a hipótese de que a bactéria pode atuar como um fator agravante da doença. Em células humanas e modelos experimentais, a infecção levou ao aumento da produção de beta-amiloide — proteína associada ao Alzheimer — além de intensificar a inflamação cerebral e a morte de neurônios.

Esses processos são considerados centrais na evolução da doença, o que sugere que a presença do microrganismo pode acelerar o declínio cognitivo.

Possíveis impactos no tratamento

Apesar de não ser considerada causa única do Alzheimer, a descoberta amplia a compreensão sobre a doença, indicando que fatores infecciosos podem desempenhar um papel relevante.

Entre as possibilidades futuras discutidas pelos pesquisadores estão:

  • Uso direcionado de antibióticos em fases iniciais

  • Desenvolvimento de terapias anti-inflamatórias específicas

  • Monitoramento da retina como método de diagnóstico precoce

Especialistas ressaltam, no entanto, que mais estudos clínicos são necessários para confirmar esses achados e avaliar a eficácia dessas abordagens.

Novas perspectivas

A pesquisa reforça a ideia de que o Alzheimer é uma condição multifatorial, envolvendo genética, inflamação e, possivelmente, agentes infecciosos. O estudo abre novas frentes para investigação e pode contribuir para avanços no diagnóstico precoce e no desenvolvimento de estratégias de prevenção.

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Da redação Mídia News

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