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MATA, MORRA, CORRA ou A ONÇA DE TRÓIA…

Vacas prenhas, novilhas, bezerros ou pequenos animais domésticos prejuízo obrigatório ao criador, involuntário sustentáculo integrante da alimentação dessa cadeia produtiva

Pantaneiros receberam vídeo com uma onça defendendo uma carcaça de vaca com aparência de prenha, contra urubus mas chamada pelo desavisado locutor de bezerro, logo um pontuou:

“-O narrador mostra que não conhece nem é do ramo, trata-se uma vaca e não bezerro , provavelmente mataram para atrair a onça que por sinal foi acostumada com o carro e os turistas filmando, por estes lados funciona do mesmo jeito.”

Logo um especialista , manda seu pitaco em tom ameaçador:

“-Faz o mesmo com gente que chega perto.”

Vacas prenhas, novilhas, bezerros ou pequenos animais domésticos prejuízo obrigatório ao criador, involuntário sustentáculo integrante da alimentação dessa cadeia produtiva que sustenta milionária teia de exploração das onças, introdução cínica do culto ao bestialismo, tratado temporariamente como atrativo único no Pantanal !

Hipocrisia que virou cinismo, e agora coroa-se com arrogância e prepotência para expulsar a pequena criação da pastorícia e pequenos animais da pacata vida nas comunidades tradicionais pantaneiras…

Nem o fogo arrasando tudo nas beiras de rio, protegidas por tais amigos da onça das onças consegue levá-los a um mínimo diálogo ou expressar algum tipo de empatia por humanos.

Antigo jeito de dominar introduzindo um Mata, Morra ou Corra nas fazendas e casas de moradores por todo Pantanal, unicas possibilidades de reagir a essa moderna e estrategicamente programada por engenharia social Onça de Tróia.

Onças do Pantanal, na hipotese de acabar o gado e outras criações por sua mega, hiper, super explosão populacional irão terminar por tentar forragear nas comunidades periféricas urbanas.

Implanta-se no consciente coletivo de que toda morte é sacrificial e aquilo que a onça mata seria de seu direito natural sobre atividades humanas invasoras, objetiva-se a total superioridade moral das onças, meta subjacente nessa política que tentam implantar a ferro e fogo nos ultimos anos no Pantanal: “-Quem lucra mais, chora menos!”

Por nos considerar presos nesse labirinto onde qualquer das três opções destruiria os seculares frutos da cultura pantaneira, tornariam-se os únicos herdeiros das commodities ambientais que mapearam existir por todo o Pantanal.

Nossa atividade econômica introjetou no inconsciente coletivo que a vida das onças devem ser tão respeitadas quanto as vidas humanas, e desse respeito mútuo surgiu a simbiose que permitiu ambas as espécies conviverem, estes exploradores modernos das onças são os caçadores extrativistas de peles e penas de animais, que só visam o lucro imediato ao expulserem tão incomodos pantaneiros, depois voltarão a controlar a superpopulação das bestas feras , reimplantando aqui a barbárie dos safaris, modelo africano, de caça remunerada em busca de troféus cinegéticos, carcaças taxidermizadas ou tapetes de peles.

Cuidado, pode ser que pantaneiros sejam como gatos domésticos que, dizem, quando encantonados sem saída, lutam e vencem até enormes onças pintadas…

 

Armando Arruda LacerdaPantaneiro respeitador da criação, das gentes, fauna e flora do Pantanal.

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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