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Governo federal repassa recursos à Acadêmicos do Tatuapé antes de desfile com homenagem ao MST

Convênio com Ministério da Justiça e apoio da Fundação Palmares colocam escola no centro de debate político em São Paulo

A decisão do governo federal de destinar recursos à Acadêmicos do Tatuapé, escola de samba da capital paulista, reacendeu o debate sobre a presença de pautas políticas no carnaval. A agremiação confirmou ter recebido R$ 250 mil em repasses federais às vésperas do desfile que homenageará o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no sambódromo do Anhembi.

Segundo informações disponíveis no Portal da Transparência, R$ 200 mil foram liberados pelo Ministério da Justiça em agosto do ano passado, por meio do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. A autorização ocorreu durante a gestão do ministro Ricardo Lewandowski. O convênio foi classificado dentro de uma iniciativa denominada “Apoio a Projetos de Defesa Nacional”.

De acordo com o governo, os recursos vinculados a essa rubrica têm como finalidade o fortalecimento de manifestações culturais e iniciativas educativas voltadas à promoção de direitos e à reparação de danos em territórios com altos índices de vulnerabilidade social. Parte dos valores do fundo é composta por multas aplicadas em ações judiciais relacionadas a danos ao patrimônio público.

Outros R$ 50 mil foram transferidos pela Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura.

O presidente da escola, Eduardo dos Santos, afirmou que o montante oriundo do Ministério da Justiça será destinado a atividades internas de formação, como capacitação de integrantes da bateria, passistas e profissionais envolvidos na confecção de fantasias e adereços. Ele também destacou que, para o desfile oficial, a agremiação conta com a subvenção repassada anualmente pela Prefeitura de São Paulo a todas as escolas do grupo especial, estimada em cerca de R$ 2 milhões por entidade.

A relação do ministro Lewandowski com o MST já foi alvo de questionamentos no Congresso Nacional. Em 2023, parlamentares da oposição tentaram convocá-lo na CPI do MST para prestar esclarecimentos sobre visita à Escola Nacional Florestan Fernandes, ligada ao movimento.

O enredo da Tatuapé neste ano aborda a questão fundiária no Brasil, com referências históricas que vão da colonização portuguesa aos conflitos agrários contemporâneos. Em nota publicada em seu site oficial, o MST afirma que a proposta busca ampliar o debate sobre reforma agrária por meio da manifestação cultural.

No Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói também levará à avenida um enredo com temática política, desta vez em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliando a discussão sobre os limites entre cultura e posicionamento ideológico no carnaval brasileiro.

Da redação Mídia News

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