Janeiro Roxo: teste rápido amplia monitoramento de contactantes de pacientes com hanseníase em Campo Grande
Ferramenta disponível na rede pública permite identificar exposição à bactéria e reforça o diagnóstico precoce da doença

A hanseníase, apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil, que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos da doença. Em Campo Grande, uma estratégia adotada pela rede municipal de saúde tem ampliado o cuidado com pessoas que mantêm contato direto com pacientes diagnosticados: a aplicação de um teste rápido capaz de identificar a exposição ao agente causador da infecção.
Disponível há cerca de três anos no Sistema Único de Saúde (SUS), o exame é realizado em até 15 minutos e integra as ações do Janeiro Roxo, campanha voltada à conscientização e combate à hanseníase. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), 93 contactantes de pacientes já realizaram o teste no município, todos com resultado negativo até o momento.
De acordo com o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da hanseníase na Sesau, Michael Cabanhas, o exame é indicado após avaliação clínica. “Quando não há lesões visíveis ou sinais claros da doença, o teste rápido permite identificar se a pessoa já teve contato com a bactéria. Em caso positivo, ela passa a ser acompanhada por cinco anos, para detecção precoce de qualquer manifestação”, explica.
A medida é considerada essencial, já que a transmissão da hanseníase ocorre por via respiratória, principalmente por meio de contato íntimo e prolongado, como entre pessoas que moram na mesma residência ou compartilham ambientes fechados por longos períodos. Diferentemente de outras doenças infecciosas, o contágio não acontece de forma rápida ou casual.
Em 2025, Campo Grande registrou 35 novos casos de hanseníase. Ao todo, 68 pacientes estiveram em acompanhamento no período, sendo que a maioria já apresentava múltiplas lesões no momento do diagnóstico — um indicativo de detecção tardia. Apenas 14 pacientes tinham manifestações iniciais da doença.
A hanseníase tem tratamento gratuito e eficaz pelo SUS, e a transmissão é interrompida em até 24 horas após o início da medicação. Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele com alteração de sensibilidade, redução de pelos e suor, formigamentos, perda de força muscular e surgimento de nódulos dolorosos.
Apesar disso, parte da população ainda procura atendimento apenas quando já existem sequelas irreversíveis. Por isso, a orientação da Secretaria de Saúde é clara: pessoas que convivem com pacientes diagnosticados devem procurar a unidade de saúde de referência para avaliação e acompanhamento regular.
“O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão. Quanto
Da redação Mídia News





