
As mortes decorrentes de intervenções policiais no Rio de Janeiro cresceram 13% ao longo de 2025, segundo dados consolidados por órgãos de monitoramento da segurança pública. O avanço do indicador, que mede óbitos registrados durante ações das forças de segurança, reacende um debate antigo no estado: como equilibrar o enfrentamento ao crime organizado com a preservação de vidas e o respeito aos direitos fundamentais.
O aumento ocorre em um contexto de operações frequentes em áreas dominadas por facções criminosas, sobretudo em comunidades da capital e da Região Metropolitana. Autoridades estaduais atribuem parte do crescimento à intensificação de ações ostensivas contra o tráfico de drogas e milícias, além da resistência armada enfrentada por policiais em incursões. Já especialistas apontam que a elevação do número de mortes pode refletir falhas de planejamento, protocolos de abordagem pouco eficazes e carência de investimentos em inteligência.
Entidades da sociedade civil e pesquisadores destacam que, embora a criminalidade violenta seja um desafio real, o uso excessivo da força tende a gerar efeitos colaterais, como o aumento da letalidade, a desconfiança da população e a judicialização de operações. Estudos comparativos indicam que políticas focadas em inteligência, investigação e policiamento de proximidade apresentam melhores resultados de longo prazo, com redução de confrontos letais.
Do lado das forças de segurança, representantes reforçam que os policiais atuam em cenários de alto risco e que muitas ocorrências envolvem troca de tiros. Sindicatos defendem melhores condições de trabalho, treinamento continuado e equipamentos adequados, argumentando que a proteção do agente também é fator decisivo para diminuir mortes em operações.
O Ministério Público e o Judiciário acompanham os números com atenção, cobrando transparência na divulgação dos dados e apuração rigorosa de cada ocorrência. A adoção de câmeras corporais, protocolos de uso progressivo da força e avaliação independente das operações são medidas frequentemente citadas como caminhos para reduzir a letalidade.
Com o crescimento de 13% registrado em 2025, o tema deve ganhar centralidade no debate público em 2026, pressionando o poder público a revisar estratégias e a ampliar o diálogo com a sociedade. A expectativa é que a combinação de prevenção, inteligência e controle externo possa produzir resultados mais consistentes, garantindo segurança sem abrir mão da proteção à vida.
Da redação Mídia News





