Mortes em protestos no Irã chegam a 5 mil, diz agência; Khamenei faz novas ameaças
Autoridades acusam “terroristas e manifestantes armados” pelas mortes; líder supremo promete repressão ainda mais dura

Ao menos 5 mil pessoas morreram durante os protestos no Irã, segundo informações confirmadas por autoridades iranianas à agência Reuters. Entre as vítimas estariam cerca de 500 integrantes das forças de segurança, de acordo com um oficial que falou sob condição de anonimato. Os confrontos, que se intensificaram desde o fim de dezembro, representam uma das mais graves ondas de violência interna no país nas últimas décadas.
De acordo com o governo iraniano, os episódios mais letais ocorreram nas regiões curdas do noroeste, área historicamente marcada por tensões separatistas. As autoridades responsabilizam “terroristas e manifestantes armados” pelas mortes de civis e agentes do Estado. O regime também voltou a acusar Israel e grupos estrangeiros de financiarem e armarem os protestos, versão frequentemente adotada por Teerã em momentos de instabilidade interna.
Apesar do número divulgado oficialmente, organizações independentes apresentam dados divergentes. A HRANA (Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos), com sede nos Estados Unidos, estima ao menos 3.308 mortos confirmados, além de 4.382 casos ainda em apuração e mais de 24 mil prisões desde o início das manifestações. A entidade aponta dificuldades para obter informações precisas devido à censura e ao bloqueio de comunicações imposto pelo governo iraniano.
Os protestos começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivados por reclamações econômicas, como inflação elevada, desemprego e queda no poder de compra. Com o passar dos dias, os atos ganharam caráter político e passaram a questionar diretamente o regime teocrático liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Durante um discurso recente, o líder supremo do Irã adotou um tom ainda mais duro, afirmando que as autoridades têm o dever de “quebrar as costas dos insurgentes”. Khamenei declarou que não haverá perdão para os envolvidos, sejam eles “criminosos internos ou apoiadores internacionais”. Segundo ele, os protestos fazem parte de uma conspiração estrangeira para desestabilizar o país.
O aiatolá também criticou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizando-o por incentivar ações contra o Irã. Já o procurador-geral de Teerã, Ali Salehi, afirmou à TV estatal que a resposta do governo foi “rápida, firme e dissuasiva”, sinalizando que a repressão deve continuar.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação o agravamento da crise humanitária e política no país, em meio a denúncias de violações de direitos humanos e uso excessivo da força contra manifestantes.
Da redação Mídia News





