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Mulher é condenada por manter jovem em cativeiro por 25 anos na Inglaterra

Vítima com deficiência de aprendizagem sofreu abusos físicos, psicológicos e trabalho forçado durante décadas em condições degradantes

Uma mulher de 56 anos foi condenada pela Justiça britânica por manter uma jovem com dificuldade de aprendizagem em cativeiro por aproximadamente 25 anos, em um caso que chocou autoridades e a opinião pública no Reino Unido. O julgamento ocorreu no Tribunal da Coroa de Gloucester, na Inglaterra, e teve detalhes divulgados após o fim de restrições legais que impediam a publicação das informações.

A vítima, identificada apenas como “K” para preservação de sua identidade, foi encontrada pela polícia em 15 de março de 2021, em uma residência localizada na cidade de Tewkesbury, no condado de Gloucestershire. De acordo com relatos apresentados no tribunal, ela apresentava sinais evidentes de desnutrição, lesões faciais e perda de dentes, além de condições físicas compatíveis com anos de negligência e violência.

A acusada, Mandy Wixon, mãe de dez filhos, foi considerada culpada por cárcere privado, submissão à servidão doméstica e agressão com lesões corporais. A sentença será definida no dia 12 de março. Apesar da condenação, ela foi liberada sob fiança condicional até a data da decisão final. Ao deixar o tribunal, negou todas as acusações.

Durante o julgamento, o juiz Ian Lawrie classificou o caso como tendo um “toque dickensiano”, em referência às condições extremamente degradantes enfrentadas pela vítima. Segundo a promotoria, a jovem passou a viver sob os cuidados da ré ainda na década de 1990, quando tinha cerca de 16 anos, e desde então foi completamente isolada do convívio social.

As investigações apontaram que a vítima era impedida de sair da residência, recebia alimentação limitada e era forçada a realizar tarefas domésticas em um ambiente descrito como insalubre e superlotado. Em determinados períodos, até 13 pessoas viviam no imóvel.

Testemunhos indicaram que a mulher sofria agressões frequentes, incluindo ataques com objetos como cabos de vassoura. Há relatos de que produtos de limpeza foram lançados contra seu rosto e até ingeridos à força. Avaliações médicas confirmaram um quadro prolongado de desnutrição, além de infecções dentárias graves não tratadas ao longo dos anos.

No momento do resgate, a vítima foi encontrada em um quarto comparado a uma cela, com cicatrizes no rosto, calos nos pés e tornozelos — sinais atribuídos a longos períodos submetida a trabalhos forçados em posição ajoelhada. À polícia, ela declarou temer pela própria segurança e relatou agressões constantes.

O caso veio à tona após um dos filhos da acusada procurar as autoridades e demonstrar preocupação com a situação da mulher. Desde então, a vítima foi encaminhada a um programa de acolhimento e, segundo informações divulgadas, tem conseguido retomar gradualmente sua vida, incluindo o acesso à educação e experiências fora do país.

A promotoria destacou que a recuperação da vítima evidencia sua capacidade de reconstrução após anos de abuso extremo.

Da redação Mídia News

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