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Os “Especialistas em Pantanal” ou Fogo fático não é fogo fátuo…

Outro dia, com minha imaginação em correria desenfreada, estive envolto em peões que viravam centauros, argonautas, construtores ressignificando madeiras e couros, adentrei até um especialista em adaptação de humanos a sertões, que andou em 1947 pelos lados brejosos, na Fazenda Firme, nosso imortal Guimarães Rosa.

Até peguei um dos seus aforismos, que anotei e depois perdi enquanto maratoneava em sua entrevista, publicada como se fora uma série moderna de streamings, intitulada “Com o vaqueiro Mariano” vivenciada por ele no Pantanal:

“-O real não está no início nem no fim. Ele se mostra pra gente é no meio da travessia.”

Nestes últimos anos, a peso de ouro de agências de propaganda e engenharia social, passou a existir em todas as mídias um tipo que poderíamos batizar, com todo respeito e sem lacração, só com uma descrição genérica: “-Especialista em Pantanal”.

Com fins eminentemente metafóricos e buscando talvez uma pretenciosa mitologia pantaneira, veja o que tem aparecido entre os comentários apimentados de amigos virtuais, pelo que peço licença poética, para trazer ao lume sem ser lacrado pela crueza da literalidade politicamente incorreta entre confrades.

Acho que estou ficando um velho ranzinza e sistemático, pois vejo “Especialistas em Pantanal, permanente e sistematicamente me negaceando atrás de cada árvore, cupim ou emaranhado de sarã com cipó de arraia que encontro em minhas andanças…

Fico olhando com ojeriza, a esses belos tipos faceiros que passaram a povoar o Pantanal:

Vejo-os em campo sempre vestidos com a mais atualizada modinha dos uniformes grifentos e cheios de merchandising…

Embora permanentemente divulgados, suas conclusões na mídia concupiscente, aparentam não guardar qualquer relação ou entender nadica de nada dos fatos que para nós são obviamente ululantes:

Poderíamos, pedindo perdão por eventuais injustiças, resumir em algumas premissas teóricas a serem filosófica e racionalmente ponderadas:

“- Muita fama, pouca lama; muito apito, pouco mosquito; muita salvação, pouca solução; muita intimidade com a certeza, inimizade ou pouca intimidade com a natureza; muita imagem construída, pouca roupa puída; muito animal totêmico, pouco conhecimento sistêmico; muito ego exacerbado, pouco calcanhar rachado.”

A ainda :

“- Lencinhos de fina seda no pescoço, tecido com filtro ultravioleta, óculos de grife, botinas hi-tech…. microfone na lapela, para registrar observações full time numa kodak tipo go pro na mão, tudo lambuzado e melecado de variados e ineficientes tipos de protetor solar e repelentes malcheirosos …”

É isso, agradeço a todos os depoimentos pessoais que inundaram minhas redes sociais, que me levaram a tentar sistematizar as onipresentes afirmações e conclusões onde tais “Especialistas em Pantanal” , seguem cheirando e elogiando mutuamente os próprios vazios “vazios” (baixos ventres e adjacências em pantaneirês).

Longa vida aos novos logaritmos:

Armando Arruda LacerdaPorto São Pedro
07/02/2026

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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