
Levantamento recente aponta que, em ao menos dez estados das regiões Norte e Nordeste, o número de famílias atendidas pelo programa Bolsa Família supera a quantidade de trabalhadores com carteira assinada. O dado evidencia a forte dependência de programas de transferência de renda em áreas historicamente marcadas por baixos índices de industrialização, informalidade elevada e limitações na geração de empregos formais.
Entre os fatores que explicam o cenário estão a escassez de investimentos privados, a baixa diversificação econômica e a dificuldade de atração de grandes empreendimentos. Em muitos municípios dessas regiões, o Bolsa Família acaba sendo uma das principais fontes de circulação de renda, sustentando o comércio local e garantindo condições mínimas de subsistência para milhões de pessoas.
Especialistas destacam que, embora o programa social tenha papel fundamental no combate à pobreza extrema e na redução da desigualdade, o predomínio de beneficiários em relação a empregos formais revela um problema estrutural. Para eles, a superação desse quadro passa por políticas públicas voltadas à educação, qualificação profissional, infraestrutura e estímulo ao empreendedorismo, capazes de gerar postos de trabalho sustentáveis.
O debate reacende discussões sobre a necessidade de conciliar programas sociais robustos com estratégias eficazes de desenvolvimento econômico regional. Sem avanços nesse equilíbrio, alertam analistas, a dependência de auxílios governamentais tende a se perpetuar, limitando o crescimento e a autonomia financeira das populações locais.
Da redação Mídia News

