
O pantaneiro Olavo Arruda passando a noite na Transpantaneira , deu o flagrante na onça atacando o tamanduá e mandou as imagens para o primo Mateus Arruda da Pousada Portal Paraíso, que havia publicado antes um filhote de tamanduá semi devorado por essa mesma onça.
Vi o vídeo pela manhã, e como sabia que as imagens viralizariam tomei o cuidado de mandar para pesquisadores e amigos da imprensa.
Sem querer polemizar com os especialistas, no meu conhecimento empírico, sigo Manoel de Barros, que poetiza sobre o tamanduá:
“- No limpo, no largo, Tamanduá é ente insuficiente,
Mas se pega uma zamboeira,
Tamanduá monta episódio,
Desafia cachorro, onça, Tenente.”
Dito isto, na minha escassa experiência sempre tivemos no nosso campo de aviação aterrado a presença de tamanduás, que nos ajudavam muito no combate às formigas cortadeiras e outras.
Amansavam, e mesmo no limpo, cachorrada não latia e desviava, alguns mais afoitos que se aproximassem logo compreendiam quando ele apresentava suas armas afiadas, que aquele bicho não era de brincadeira, respeitavam e passavam espiando de canto de olho…
Acredito que num embate entre onça nova e tamanduá adulto esse seria um resultado bastante previsivel, eu apostaria sempre no tamanduá…
Onça imatura tamanduá velho ( os animais também envelhecem) tamanduá ensina como ensinou a essa chamada Macau.
Onça velha sabe só ter chance com tamanduá imaturo ou filhote, mesmo assim ela só ataca após analisar cuidadosa e estrategicamente, avaliando as suas possibilidades de sucesso…
Resumindo, em igualdade de condições ambos animais se respeitam e se repelem, só imaturidade ou muita fome da onça explicariam tal embate.
Acho que se alguém “chutar” que a onça forrageia e necessita de 5% de tamanduás em sua dieta, está na verdade sendo um “amigo da onça” das poderosas onças, pois nosso tão simpático e desdentado amigo tem uma bandeira na cauda para se cobrir, atrapalhar dentes e apoiá-lo na hora de usar suas unhas e seu abraço mortal, que até inspiram heróis de quadrinhos em Holiúde.
O tamanduá procurava o tempo todo o subaco da onça Macau, acho até que ela tomou pelo menos uma riscada, e percebeu que o tamanduá não havia perdoado o ataque anterior a seu filhote, abatido dois dias antes.
Um fraterno abraço pantaneiro bem chinchado, sem envolver dentes ou unhas.
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro
27/02/2026




