
A produção de veículos no Brasil registrou crescimento de 3,5% em 2025, confirmando a retomada gradual do setor automotivo após anos de instabilidade provocados por crises econômicas, gargalos logísticos e impactos da pandemia. O desempenho positivo reflete a combinação de maior demanda interna, recuperação das exportações e investimentos das montadoras em novos modelos e tecnologias, especialmente no segmento de veículos eletrificados.
De acordo com dados consolidados da indústria, o avanço foi puxado principalmente pela produção de automóveis de passeio, que voltou a ganhar força com a melhora do crédito ao consumidor e programas de incentivo à renovação da frota. O segmento de comerciais leves também apresentou crescimento, impulsionado pelo aquecimento do e-commerce e da logística urbana, enquanto caminhões e ônibus mantiveram ritmo estável, sustentados por encomendas do agronegócio e do transporte coletivo.
Especialistas avaliam que a estabilização da cadeia de suprimentos, sobretudo na oferta de semicondutores, foi decisiva para o aumento da produção. Nos últimos anos, a escassez global desses componentes havia provocado paralisações e redução de turnos em diversas fábricas. Em 2025, com a normalização gradual do abastecimento, as montadoras conseguiram ampliar a capacidade produtiva e reduzir filas de espera por veículos novos.
Outro fator relevante foi o avanço dos veículos híbridos e elétricos, que ganharam espaço nas linhas de montagem nacionais. Com maior oferta de modelos e incentivos estaduais e municipais, a produção desses veículos cresceu de forma expressiva, contribuindo para a diversificação do portfólio das montadoras instaladas no país. O movimento acompanha a tendência global de transição energética e busca por soluções de mobilidade mais sustentáveis.
No comércio exterior, as exportações também ajudaram a sustentar o resultado positivo. Mercados da América Latina, como Argentina, Chile e Colômbia, ampliaram a demanda por veículos produzidos no Brasil, favorecidos por acordos comerciais e pela competitividade da indústria nacional. A valorização de determinados mercados e a retomada de encomendas contribuíram para manter as fábricas em operação próxima do limite.
Apesar do cenário favorável, representantes do setor alertam para desafios em 2026, como a necessidade de novos investimentos, estabilidade regulatória e políticas de incentivo à inovação. A expectativa é que, mantidas as condições atuais, o setor continue em trajetória de crescimento moderado, consolidando a recuperação e ampliando a participação do Brasil no mercado regional.
Da redação Mídia News

