Apagão geral em Cuba deixa mais de 10 milhões sem energia e provoca colapso na internet
Blecaute nacional reduz tráfego digital em cerca de 50% e aprofunda crise energética enfrentada pela ilha

Um apagão de grandes proporções atingiu Cuba nesta segunda-feira (16) e deixou mais de 10 milhões de pessoas sem energia elétrica em todo o país. A interrupção no fornecimento de eletricidade provocou também uma queda significativa no acesso à internet, evidenciando a fragilidade do sistema energético da ilha e ampliando o clima de tensão social.
De acordo com o monitor global de conectividade NetBlocks, o colapso da rede elétrica resultou em uma redução de aproximadamente 50% no tráfego de dados no país. A queda no fluxo digital foi detectada poucas horas após o início da interrupção de energia, indicando que a infraestrutura de telecomunicações foi diretamente afetada pelo apagão.
Segundo a organização, a interrupção do fornecimento de eletricidade impactou tanto o acesso doméstico quanto serviços essenciais que dependem da conectividade para funcionar. A falha no sistema elétrico ocorre em meio a uma crise energética prolongada enfrentada pelo governo cubano, marcada pela escassez de combustível e pela dificuldade de manutenção das usinas geradoras.
Nos últimos meses, apagões parciais e racionamentos de energia têm sido cada vez mais frequentes em diversas regiões do país. Especialistas apontam que a situação é agravada por limitações no fornecimento de petróleo e por problemas estruturais no sistema de geração e distribuição elétrica.
O blecaute registrado nesta segunda-feira é considerado o sexto episódio de grande interrupção energética em aproximadamente um ano e meio. A recorrência dos problemas tem aumentado a insatisfação popular e gerado manifestações em algumas cidades.
No último sábado (14), protestos foram registrados na cidade de Morón. Durante o ato, manifestantes atacaram uma sede do Partido Comunista local. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram pessoas arremessando pedras contra o prédio e incendiando objetos próximos à estrutura.
As imagens também mostram moradores celebrando a ação enquanto participantes do protesto entoavam palavras de ordem contra o regime e pediam liberdade política.
Após os episódios de vandalismo e manifestações, o governo cubano reforçou a presença das forças de segurança em diversas cidades. Policiais e militares foram deslocados para proteger prédios públicos, tribunais e sedes do Partido Comunista, numa tentativa de evitar novos confrontos.
Paralelamente ao aumento da tensão social, o governo anunciou que 51 presos políticos deverão ser libertados nos próximos dias. A medida foi apresentada como um gesto diplomático em meio a negociações envolvendo o Vaticano, que atua como mediador em diálogos entre Havana e Washington.
O anúncio foi feito pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel em pronunciamento oficial. No entanto, as autoridades não divulgaram os nomes dos detidos que serão libertados nem os detalhes das condenações.
A sequência de apagões, somada à crise econômica e às tensões políticas internas, reforça o cenário de instabilidade enfrentado atualmente pelo país caribenho.
Da redação Mídia News




