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Socialista António José Seguro é eleito presidente de Portugal

Vitória no segundo turno marca retorno da esquerda ao Palácio de Belém após quase duas décadas

Portugal voltou a eleger um presidente identificado com a esquerda após quase 20 anos. Neste domingo (8), António José Seguro, de 63 anos, venceu o segundo turno da eleição presidencial e garantiu a chefia do Estado português. Candidato do Partido Socialista, Seguro superou André Ventura, líder do Chega, e marca o retorno da esquerda ao Palácio de Belém.

Com a apuração praticamente concluída, Seguro obteve 66,40% dos votos válidos, contra 33,60% de Ventura. A posse do novo presidente está marcada para o dia 9 de março. Após a confirmação do resultado, Ventura reconheceu a derrota e desejou ao adversário um “ótimo mandato”. O desfecho foi recebido como um alívio por forças de esquerda que vinham acumulando perdas de espaço político, sobretudo no Parlamento.

Desde 2006, quando Jorge Sampaio deixou a Presidência da República, o país não elegia um chefe de Estado com perfil claramente alinhado à esquerda. O resultado, portanto, representa uma inflexão simbólica no cenário político português, ainda que o governo siga sob comando da direita.

Portugal adota o sistema semipresidencialista, no qual o presidente exerce papel relevante. Cabe ao chefe do Estado nomear o primeiro-ministro, sancionar ou vetar leis, dissolver a Assembleia da República e, em situações específicas, demitir o governo. Embora as candidaturas sejam individuais, o apoio formal de partidos políticos tem peso decisivo no processo eleitoral, como ocorreu neste pleito.

O primeiro turno foi marcado por forte fragmentação. Seguro liderou com 31,1% dos votos, somando 1.755.563 eleitores, enquanto Ventura ficou em segundo, com 23,5% (1.327.021 votos). No intervalo entre os turnos, pesquisas passaram a indicar ampla vantagem do socialista, que chegou a abrir mais de 20 pontos percentuais sobre o adversário.

A transferência de votos dos candidatos eliminados foi decisiva para o desempenho final de Seguro. Parte significativa do eleitorado de forças de centro e liberais acabou migrando para o socialista no segundo turno, consolidando a vitória.

Apesar da derrota presidencial, a trajetória de Ventura evidencia o crescimento da direita em Portugal. Desde 2019, o Chega saltou de um para 60 deputados na Assembleia da República. No mesmo período, o PS encolheu de 120 cadeiras, em 2022, para 58.

A esquerda tradicional também perdeu fôlego. O Bloco de Esquerda reduziu sua bancada de 19 para um deputado, enquanto o Partido Comunista Português caiu de 12 para três. Em sentido oposto, o Livre avançou de um para seis parlamentares até 2025.

O cenário recente foi marcado por instabilidade política. Após a renúncia de António Costa em 2023, Luís Montenegro assumiu o governo, mantendo a direita no comando do Executivo. A eleição de Seguro, portanto, reequilibra o tabuleiro institucional ao devolver a Presidência à esquerda, em meio a um Parlamento fragmentado e a um governo de sinal oposto.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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