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Deputado aciona Justiça para derrubar sigilo em voos da FAB usados por autoridades

Parlamentar alega falta de transparência e quer acesso público a dados de deslocamentos oficiais custeados pela União

Um deputado federal ingressou com ação na Justiça para pôr fim ao sigilo que envolve informações sobre voos da Força Aérea Brasileira (FAB) utilizados por autoridades. A iniciativa tem como objetivo obrigar o governo a divulgar, de forma ampla e detalhada, dados sobre passageiros, destinos, custos e justificativas de uso das aeronaves oficiais, hoje protegidos por regras de confidencialidade em diversos casos.

Segundo o parlamentar, a atual política de sigilo impede o controle social e dificulta a fiscalização dos gastos públicos. Ele sustenta que a Constituição e a Lei de Acesso à Informação (LAI) garantem o direito do cidadão de conhecer como recursos federais são empregados, sobretudo quando se trata de transporte aéreo custeado pelo Tesouro. “Não se trata de expor a segurança institucional, mas de assegurar transparência e responsabilidade no uso do dinheiro público”, argumenta.

Na ação, o deputado pede que a Justiça determine a divulgação periódica das informações, com exceção de situações estritamente relacionadas à segurança nacional, devidamente justificadas. O pedido também solicita que os dados sejam disponibilizados em plataforma de fácil acesso, com atualização regular e possibilidade de auditoria por órgãos de controle.

O tema voltou ao centro do debate após reportagens apontarem o uso frequente de aeronaves da FAB por autoridades para compromissos de natureza política e agendas consideradas não prioritárias. Críticos alegam que a falta de transparência abre margem para abusos e favorece privilégios indevidos. Já defensores do modelo atual afirmam que o sigilo é necessário para preservar a integridade de autoridades e evitar riscos operacionais.

Especialistas em direito público ouvidos por veículos de imprensa destacam que a LAI prevê exceções para informações sensíveis, mas exige motivação clara para a classificação. “O sigilo não pode ser regra; deve ser exceção, justificada e temporária”, avaliam. Eles lembram que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, em outras ocasiões, em favor da publicidade dos atos administrativos como princípio basilar da administração pública.

A Advocacia-Geral da União (AGU) ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Nos bastidores, a expectativa é de que o governo sustente a necessidade de preservar dados estratégicos, ao mesmo tempo em que avalia eventuais ajustes nos critérios de divulgação.

Se a ação prosperar, o impacto pode ser significativo, criando um novo padrão de transparência para deslocamentos oficiais e ampliando o escrutínio sobre despesas com aeronaves da FAB. O desfecho também pode influenciar outras áreas em que o sigilo é frequentemente invocado, reacendendo o debate sobre os limites entre segurança institucional e direito à informação.

Da redação Mídia News

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