
Em uma medida considerada atípica nos bastidores do Judiciário, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu selecionar pessoalmente peritos da Polícia Federal para atuar no chamado caso Master. A iniciativa foge ao procedimento tradicional, no qual a escolha de especialistas técnicos costuma ser feita por indicação interna da própria PF, respeitando critérios administrativos e de disponibilidade.
O despacho do ministro estabelece que os peritos designados atuarão diretamente na análise de provas sensíveis do processo, considerado complexo e de grande repercussão. Segundo fontes ouvidas sob reserva, a decisão foi tomada diante da necessidade de acelerar diligências e garantir um padrão técnico específico nas perícias, o que teria motivado a intervenção direta do magistrado.
Nos meios jurídicos, a medida gerou reações distintas. Parte dos especialistas avalia que a escolha direta pode conferir maior controle e eficiência ao andamento do caso, sobretudo quando há urgência ou risco de comprometimento das provas. Outros, no entanto, apontam preocupação com a quebra de uma praxe institucional que preserva a autonomia técnica da Polícia Federal e evita questionamentos sobre eventual direcionamento.
Integrantes da PF ressaltam que o corpo técnico da instituição é formado por profissionais concursados e capacitados para atuar em diferentes frentes, e que a seleção costuma obedecer a critérios objetivos. Ainda assim, reconhecem que o STF tem prerrogativa para requisitar apoio técnico quando julga necessário, embora a forma adotada neste episódio seja pouco usual.
O caso Master permanece sob sigilo em alguns de seus trechos, mas é tratado internamente como um dos mais delicados em tramitação recente no Supremo. A decisão de Toffoli deve seguir sendo observada de perto por operadores do Direito, pois pode abrir precedente sobre o grau de intervenção de ministros na condução técnica de investigações conduzidas com apoio da Polícia Federal.
Da redação Mídia News



