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Investigado por elo com facção criminosa negociou resort ligado à família de Toffoli

Documentos da Junta Comercial indicam que fundo representado por ex-executivo investigado participou de transação milionária envolvendo empreendimento turístico

Uma negociação envolvendo um resort pertencente a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli entrou no radar das autoridades após a revelação de que um dos representantes do fundo comprador é investigado por ligação com um esquema de lavagem de dinheiro associado ao crime organizado. A informação consta em documentos oficiais da Junta Comercial e integra apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

O personagem central do caso é Silvano Gersztel, ex-diretor da Reag Investimentos, que se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. A investigação apura a existência de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro por meio de distribuidoras de combustíveis e fundos de investimento, com possível vínculo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo os investigadores, Gersztel atuava como gestor de estruturas financeiras utilizadas para ocultar patrimônio de empresários investigados por sonegação fiscal e crimes financeiros. Entre eles estaria Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado como um dos principais beneficiários do esquema. O Ministério Público sustenta que os fundos administrados pela Reag serviam para a aquisição de usinas, imóveis de alto padrão e empreendimentos turísticos, dificultando a identificação dos reais proprietários.

O elo com a família do ministro Dias Toffoli surgiu em setembro de 2021, quando o fundo Arleen, representado por Gersztel, adquiriu metade das cotas das empresas responsáveis pelo resort Tayayá, empreendimento pertencente aos irmãos do magistrado. Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que a negociação envolveu cifras milionárias. Além do fundo Arleen, o fundo Leal — ligado a familiares do controlador do Banco Master — também teria investido cerca de R$ 20 milhões no projeto.

As investigações apontam que Gersztel exercia papel estratégico dentro da Reag Investimentos, sendo considerado braço direito do fundador da gestora. Ele teria ocupado cargos de alto escalão até o início de 2025, período em que, segundo o Ministério Público, as operações suspeitas ocorreram de forma coordenada e sistemática.

Procurada, a defesa de Silvano Gersztel não se manifestou até o momento. O ministro Dias Toffoli e seus familiares também não comentaram a transação envolvendo o resort. Em nota, a Reag Investimentos afirmou que não possui envolvimento com atividades ilícitas, declarou ter passado por um processo de reestruturação interna e negou qualquer vínculo com organizações criminosas mencionadas nas investigações.

O caso segue sob apuração e poderá trazer novos desdobramentos à medida que a Polícia Federal aprofunda a análise das movimentações financeiras e societárias ligadas ao esquema.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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