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Aplicativo do FGC apresenta instabilidade no ressarcimento do Banco Master

Falhas no sistema marcaram o início do maior pagamento da história do Fundo Garantidor de Créditos, que deve alcançar cerca de 800 mil investidores

O início do processo de ressarcimento aos clientes do Banco Master, neste sábado (17), foi marcado por instabilidades no aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A plataforma, criada para permitir que investidores solicitem a devolução de valores após a liquidação da instituição financeira, apresentou falhas poucas horas após a liberação do acesso, frustrando milhares de usuários.

De acordo com informações divulgadas pelo próprio FGC à Folha de S.Paulo, o elevado volume de acessos simultâneos comprometeu o funcionamento do sistema. Até o início da tarde, mais de 140 mil tentativas de acesso haviam sido registradas. A expectativa do fundo é atender cerca de 800 mil investidores, número revisado após análises técnicas do passivo da instituição liquidada.

A operação envolve um montante estimado em R$ 40,6 bilhões, o maior pagamento já realizado pelo FGC desde sua criação. O ressarcimento contempla aplicações como CDBs e saldos mantidos em conta corrente no Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Em nota, o FGC informou que a infraestrutura do aplicativo é autoescalável e que equipes técnicas seguem monitorando o sistema para normalizar o serviço. Ainda assim, usuários relataram dificuldades para concluir o cadastro, enviar documentos e avançar nas etapas obrigatórias para liberação dos valores. As falhas geraram preocupação entre investidores, especialmente diante da demora de quase dois meses entre a decretação da liquidação e o início dos pagamentos.

O diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que o processo exigiu um esforço operacional sem precedentes. Segundo ele, equipes trabalharam de forma contínua para organizar os dados e viabilizar os pagamentos no menor prazo possível, considerando a complexidade do caso.

O fundo reforça que o ressarcimento não é automático. É necessário que o investidor realize o cadastro no aplicativo oficial e siga todas as etapas exigidas. O pagamento é feito exclusivamente em conta de mesma titularidade, respeitando o limite legal de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, já incluídos os rendimentos até a data da liquidação. Não há correção monetária posterior.

Além disso, o FGC alerta para tentativas de golpe e orienta que os investidores utilizem apenas os canais oficiais. Especialistas do setor avaliam que, apesar do alto volume financeiro, o episódio não representa risco sistêmico, uma vez que o fundo dispõe de cerca de R$ 125 bilhões em caixa.

O Banco Master teve a liquidação decretada após a identificação de graves irregularidades, incluindo operações simuladas, uso de laranjas e manipulação de ativos. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso durante as investigações, mas responde ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico.

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