O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira (20) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem usado com frequência as redes sociais na formulação e divulgação de decisões que influenciam o debate global, chegando a dizer que o líder americano “quer governar o mundo pelo Twitter”. A declaração foi proferida durante uma cerimônia de entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e repercute nas relações diplomáticas entre os dois países.
No discurso, Lula destacou que, na sua visão, o uso intensivo de plataformas digitais por Trump resulta em um ciclo permanente de publicações que moldam a agenda política internacional. “Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou”, afirmou o presidente brasileiro. Lula ainda questionou se governar com base em postagens digitais permite um tratamento respeitoso das pessoas, argumentando que a política não deve ser conduzida como se cidadãos fossem “objetos” em vez de seres humanos.
O comentário ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com desentendimentos anteriores envolvendo questões comerciais, como tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros em 2025, e divergências sobre a atuação americana na América Latina, especialmente em relação à Venezuela. Nos últimos dias, publicações de Trump nas redes sociais mostraram imagens geradas por inteligência artificial sugerindo a anexação simbólica de territórios como Groenlândia, gerando reações diversas no cenário internacional.
Durante o evento de entrega de moradias, Lula também comentou sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas, criticando o uso excessivo de celulares e afirmando que, em seu gabinete, a utilização de dispositivos móveis é proibida para favorecer a interação direta entre as pessoas. A fala do presidente brasileiro reforça a necessidade de refletir sobre os limites da comunicação digital na condução de políticas públicas e relações exteriores.
Autoridades próximas a Lula afirmaram que a declaração não deve ser interpretada como um rompimento nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington, mas como uma constatação crítica sobre o estilo comunicativo adotado por Trump, sinalizando que divergências pontuais podem coexistir com o diálogo bilateral.
Da redação Midia News




