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Ex-nora de Lula e ex-sócio de Lulinha são citados em investigação por atuação como lobistas no Planalto

Relatório aponta visitas frequentes ao Palácio do Planalto sem registro oficial e possível intermediação de interesses privados junto ao governo federal

Uma reportagem publicada pelo portal UOL revelou que a ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Carla Ariane Trindade, e o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, estiveram diversas vezes no Palácio do Planalto entre os anos de 2023 e 2025. As visitas, ao menos dez no total, não constam nas agendas oficiais do Executivo e são alvo de apuração da Polícia Federal.

De acordo com a reportagem, ambos são investigados no âmbito da Operação Coffee Break, deflagrada em novembro do ano passado, que apura a atuação de lobistas junto ao governo federal. As investigações apontam que Carla Ariane e Kalil Bittar teriam intermediado o acesso de empresários a integrantes do alto escalão do governo, mediante pagamento.

Entre os envolvidos está o empresário André Gonçalves Mariano, dono da empresa Life Educacional. Segundo a apuração, ele teria financiado viagens, feito transferências bancárias e custeado despesas pessoais de Kalil Bittar. Somente entre 2022 e 2024, os repasses somariam cerca de R$ 210 mil. Em um dos episódios citados, dois dias após uma reunião no Planalto, Mariano teria transferido R$ 30 mil ao empresário.

As investigações indicam que Kalil acompanhou Mariano em encontros com o chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em dezembro de 2023. Já Carla Ariane, identificada nas investigações pelo codinome “Nora”, esteve no Planalto em maio do ano passado, no mesmo período em que Mariano também esteve em Brasília. Apesar de chegarem em horários diferentes, ambos viajaram no mesmo voo, com passagens custeadas pelo empresário.

Em dezembro de 2024, Carla voltou a acessar o Palácio do Planalto, desta vez acompanhada de Fernando de Moraes, então secretário de Educação de Hortolândia (SP). Novamente, as visitas não foram registradas em compromissos oficiais.

O caso também reacende ligações com episódios anteriores envolvendo o entorno do presidente. Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia, imóvel que esteve no centro de investigações da Operação Lava Jato. Embora Lula tenha sido condenado à época, a decisão foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal, permitindo que o presidente recuperasse seus direitos políticos.

Em nota ao UOL, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que receber representantes de diferentes setores faz parte das atribuições institucionais do governo. A defesa de Kalil Bittar negou irregularidades, enquanto os advogados de Carla Ariane alegaram que as visitas tiveram caráter pessoal. Já os representantes de Fernando de Moraes afirmaram que os encontros ocorreram por amizade com membros da família presidencial.

Da redação Mídia News

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