O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o economista Guilherme Mello para ocupar uma das vagas abertas no Conselho Diretor do Banco Central do Brasil. Atualmente secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Mello ainda precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado Federal antes de assumir o cargo.
Aos 42 anos, Guilherme Mello é considerado um dos principais formuladores da política econômica do governo. Alinhado a Haddad, ele defende a redução gradual da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, e se identifica com a corrente dos economistas estruturalistas. Essa linha teórica sustenta maior atuação do Estado na economia, com uso de investimentos públicos e políticas coordenadas para estimular o crescimento, reduzir gargalos produtivos e controlar a inflação.
A indicação ocorre em um momento sensível para a política monetária. O Conselho Diretor do Banco Central opera hoje com apenas sete dos nove integrantes previstos em lei. As duas cadeiras estão vagas desde o fim de 2025, quando os ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes deixaram seus cargos. A recomposição do colegiado é vista como estratégica para o governo, especialmente diante da expectativa de mudanças na condução dos juros ao longo de 2026.
O colegiado é presidido por Gabriel Galípolo, também indicado por Haddad e nomeado em 2023, após ter atuado como secretário-executivo do Ministério da Fazenda. A atual composição do Banco Central tem sido observada de perto pelo mercado e por agentes políticos, sobretudo em razão das sinalizações recentes sobre flexibilização monetária.
Na última quarta-feira, 28, apenas sete diretores participaram da reunião do Comitê de Política Monetária, que decidiu manter a Selic pela quinta vez consecutiva. No comunicado oficial, o comitê indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes nos juros a partir de março, desde que o cenário inflacionário permita.
Apesar do histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acatar indicações do ministro da Fazenda para cargos estratégicos no Banco Central, a nomeação de Guilherme Mello ainda não está definida. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a decisão final segue em aberto e dependerá de avaliações políticas e institucionais nas próximas semanas.
Da redação Mídia News





