Uma reunião fora da agenda oficial do Palácio do Planalto reuniu, no dia 23 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP). O encontro ocorreu na Granja do Torto, em Brasília, na antevéspera do Natal, e não foi registrado na agenda pública da Presidência da República. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
Segundo a apuração, a reunião foi solicitada por Ciro Nogueira e contou ainda com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, filiado ao Republicanos. A ausência de registro oficial reacendeu debates sobre articulações políticas conduzidas fora dos canais formais do governo, especialmente em um contexto de pré-definição de alianças para as eleições de 2026.
O principal tema tratado teria sido a reaproximação política entre Lula e o senador piauiense, com foco direto na disputa pelo Senado no Piauí. Em outubro deste ano, duas vagas estarão em jogo, e a articulação buscaria fortalecer o palanque de Ciro Nogueira em um estado atualmente governado pelo PT, partido do presidente da República.
O possível entendimento político envolveria um arranjo estratégico mais amplo. De acordo com a reportagem, Lula manifestaria apoio ao senador Marcelo Castro (MDB), enquanto Ciro Nogueira trabalharia para assegurar apoio velado do PP à própria reeleição. Em contrapartida, o Progressistas adotaria uma postura de neutralidade na eleição presidencial de 2026, afastando-se de uma adesão formal ao campo bolsonarista.
Esse ponto é considerado sensível, já que a legenda é historicamente associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, mais recentemente, a movimentos de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como um dos nomes do PL para a sucessão presidencial.
Durante o encontro, Ciro Nogueira também teria destacado sua relação política com Hugo Motta, a quem se refere como “filho político”, indicando a existência de uma aliança consolidada entre os dois parlamentares. Atualmente, a federação formada por PP e União Brasil detém a maior bancada da Câmara dos Deputados, fator que confere peso estratégico a qualquer movimentação de seus principais líderes.
A reunião, embora informal, sinaliza uma tentativa de rearranjo do tabuleiro político nacional, com impactos diretos tanto na disputa regional no Nordeste quanto na configuração das forças para a corrida presidencial de 2026.
Da redação Mídia News





