
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que o atual sistema eletrônico de votação da Venezuela deve ser desmontado para que futuras eleições tenham legitimidade e confiança da população. A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, um dos principais fóruns globais de debate sobre política internacional e segurança.
Segundo Machado, o modelo eleitoral vigente não oferece garantias suficientes de transparência e integridade, sendo alvo de críticas recorrentes por parte da oposição e de observadores internacionais. Para ela, a reconstrução do sistema eleitoral é essencial para restaurar a confiança dos eleitores e assegurar a realização de pleitos verdadeiramente democráticos.
A opositora defendeu a criação de um novo sistema que permita auditorias independentes, participação ampla da população — incluindo venezuelanos no exterior — e mecanismos que assegurem a verificação dos resultados. De acordo com Machado, o processo de desenvolvimento e implementação desse novo modelo poderia ser concluído em aproximadamente 40 semanas.
Durante sua fala, a líder destacou que eleições anteriores no país foram marcadas por denúncias de fraudes e manipulações, o que, na avaliação dela, compromete a credibilidade das instituições eleitorais. Por isso, reforçou a necessidade de “começar do zero” na estrutura do sistema de votação.
María Corina Machado ganhou projeção internacional após receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, reconhecimento atribuído à sua atuação em defesa da democracia, dos direitos humanos e de eleições livres na Venezuela. Sua liderança tem sido central na articulação da oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro.
A Venezuela enfrenta uma prolongada crise política e institucional, com frequentes acusações de irregularidades eleitorais e restrições às liberdades civis. Relatórios de organismos internacionais apontam falhas na transparência dos processos eleitorais, o que tem ampliado a desconfiança interna e externa sobre os resultados das eleições no país.
Nesse contexto, a proposta de reformulação completa do sistema eleitoral surge como mais um capítulo no debate sobre a retomada da normalidade democrática na Venezuela.
Da redação Mídia News





