
Uma disputa societária envolvendo o banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, pode resultar em uma cobrança próxima de R$ 500 milhões. O impasse ocorre às vésperas da amortização das cotas do fundo EXP 1, prevista para o dia 28 de fevereiro, e levanta dúvidas sobre a qualidade dos ativos que compõem a carteira do fundo.
O conflito envolve o empresário Roberto Campos Marinho Filho, proprietário da Yards Capital e sócio do Digimais no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), estruturado em fevereiro de 2025. Segundo informações divulgadas pelo portal UOL, o empresário notificou o banco para recomprar mais de R$ 460 milhões em ativos que, segundo ele, apresentam inconsistências e ausência de lastro adequado.
O fundo EXP 1 foi criado com cerca de R$ 720 milhões, sendo 80% das cotas pertencentes ao Digimais e os 20% restantes ao empresário. Para integralizar sua participação, o banco aportou Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) vinculadas a empréstimos consignados, originados por instituições financeiras que posteriormente enfrentaram dificuldades, como o Banco Master, a Reag e a holding Fictor.
Uma auditoria contratada pela Yards Capital identificou mais de 20 mil CCBs com documentação considerada inadequada, totalizando aproximadamente R$ 315 milhões. Parte significativa desses créditos estaria ligada à Fictor, empresa que entrou em recuperação judicial.
Na notificação, Marinho Filho sustenta que há previsão contratual para recompra dos ativos em caso de problemas estruturais. Ele também aponta possíveis inconsistências na originação dos créditos e acusa o Digimais de interferência na cadeia de pagamentos, o que poderia configurar apropriação indevida.
Em resposta, o Digimais nega as acusações e afirma que não possui coobrigação contratual para cobrir eventuais falhas nos créditos. A instituição sustenta que a responsabilidade recai sobre as entidades que originaram os empréstimos e afirma ter repassado cerca de R$ 90 milhões ao fundo, valores que teriam sido comprovados judicialmente.
O banco também ingressou com ação contra o sócio, alegando retenção indevida de recursos do fundo sem a devida prestação de contas.
A incerteza em torno da qualidade dos ativos e a possibilidade de bloqueios judiciais levantam dúvidas sobre a liquidez necessária para a amortização das cotas. O caso ocorre em meio a um cenário de instabilidade no sistema financeiro, agravado por episódios recentes envolvendo instituições que participaram da originação dos créditos.
A situação adiciona pressão ao processo de reestruturação interna do Digimais, que recentemente contratou o ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para conduzir ajustes na instituição.
TAGS: Digimais, Edir Macedo, mercado financeiro
Frase-chave foco SEO: banco Digimais cobrança milionária
Título SEO: Banco Digimais enfrenta cobrança de R$ 500 milhões
Meta descrição: Disputa envolvendo o fundo EXP 1 pode gerar cobrança milionária contra o banco Digimais e ampliar crise no setor financeiro.
Da redação Mídia News


