Por amor aos filhos, mãe muda rotina e transforma vida ao se aproximar da escola na zona rural
Servidora pública decide morar ao lado da unidade escolar para acompanhar de perto a educação dos três filhos, incluindo um adolescente autista

No mês em que se celebra o Dia das Mães, a história da servidora pública Carla Aline Candado de Rezende evidencia o alcance das escolhas maternas em favor da educação dos filhos. Inspetora da Escola Municipal Agrícola Barão do Rio Branco, em Campo Grande, ela decidiu mudar completamente a rotina familiar ao se transferir para a zona rural, com o objetivo de garantir melhores condições de acompanhamento escolar para os três filhos — entre eles, João Marcelo, adolescente com transtorno do espectro autista.
A mudança começou a ser planejada em abril do ano passado, após a matrícula de João Marcelo na unidade. Diante das dificuldades logísticas enfrentadas diariamente, como longos deslocamentos e a busca por moradia adequada em outras regiões da cidade, a família passou a considerar a mudança como solução viável. Após semanas de procura, a decisão foi concretizada em junho.
O que inicialmente parecia apenas uma alternativa prática logo se transformou em uma escolha consciente. O contato prévio com a escola, durante atividades como acampamentos pedagógicos, já havia despertado o interesse da família pela proposta educacional diferenciada. A instituição oferece atividades como música, cultivo em horta e interação com animais, além de um ambiente acolhedor e inclusivo. “Vale muito a pena”, resume Carla.
Com a mudança, a rotina familiar passou por uma reestruturação significativa. A proximidade com a escola trouxe mais organização, tranquilidade e integração ao cotidiano escolar. Os filhos — Micaela (4º ano), Carlos (6º ano) e João Marcelo (8º ano) — passaram a vivenciar de forma mais intensa o ambiente educacional, fortalecendo vínculos e ampliando o desenvolvimento.
Além disso, a proximidade levou Carla a assumir uma nova função profissional na própria unidade, atuando como inspetora. A dupla responsabilidade exige equilíbrio, especialmente na separação entre os papéis de mãe e servidora. “Na escola, eu não sou mãe. Eu sou funcionária. Eles sabem que precisam seguir as mesmas regras que os outros alunos”, afirma.
Outro destaque da experiência foi o acolhimento recebido, principalmente no processo de inclusão de João Marcelo. Segundo Carla, atitudes simples dos colegas fazem diferença significativa no dia a dia. “Teve um momento em que ajudaram ele a amarrar o tênis de forma adaptada. Pode parecer simples, mas representa muito”, relata.
A vivência mais próxima também possibilitou à mãe acompanhar com mais atenção o desenvolvimento dos filhos, inclusive em atividades extracurriculares. Para Carla, a trajetória é marcada por uma palavra: superação.
A história reforça o papel da educação pública como agente de transformação social, evidenciando como o acesso a um ensino de qualidade pode impactar diretamente a vida das famílias. Neste mês dedicado às mães, trajetórias como a de Carla destacam o compromisso silencioso, porém poderoso, com o futuro dos filhos.
Da redação Mídia News





