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UCP deixará Pedro Juan Caballero e alunos denunciam cobrança de até Gs. 15 milhões para transferência

Resolução do CONES determina traslado da filial para Assunção até fevereiro de 2027; estudantes brasileiros e paraguaios relatam insegurança acadêmica, aumento de custos e conflito que chegou à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul

Estudantes brasileiros e paraguaios de Medicina que estudavam na Universidade Central do Paraguai (UCP), em Pedro Juan Caballero, procuraram o Mídia News Campo Grande para denunciar uma situação de incerteza acadêmica e financeira após a decisão de transferir a filial da instituição para Assunção.

Documentos, mensagens de grupos de alunos, publicações em redes sociais e um boletim de ocorrência foram apresentados à reportagem. Parte das informações está comprovada documentalmente, enquanto outras corresponde a relatos dos acadêmicos e ainda depende de esclarecimentos das instituições envolvidas.

O ponto central da mudança é confirmado pela Resolução Particular CONES nº 438/2026, de 23 de junho de 2026. O documento aprova o traslado da filial da UCP de Pedro Juan Caballero para Assunção, incluindo as carreiras habilitadas.

A resolução estabelece ainda que o traslado deverá estar concluído até fevereiro de 2027 e determina que, a partir dessa data, a UCP não poderá mais ofertar suas carreiras em Pedro Juan Caballero.

Alunos dizem que receberam alternativas

Segundo depoimentos encaminhados à reportagem, os estudantes foram informados de que poderiam seguir para a estrutura da UCP em Assunção ou continuar os estudos na Universidade Interamericana, em Pedro Juan Caballero.

Mensagens compartilhadas em um grupo identificado como “Turma 8ºD – AVISOS” detalham alternativas que teriam sido apresentadas aos acadêmicos.

Em uma delas, datada de 20 de julho, consta que estudantes poderiam cursar o 8º semestre na Interamericana. A mensagem afirma que, nesse cenário, parte dos alunos teria cursado 50% da graduação na UCP — do 1º ao 6º semestre — e os outros 50% na Interamericana — do 7º ao 12º semestre.

Para 2027, o comunicado apresentado à reportagem relaciona quatro possibilidades: permanecer na Interamericana; seguir para Ciudad del Este; ir para Assunção; ou solicitar transferência externa para outra instituição.

De Gs. 8 milhões para Gs. 15 milhões

É justamente a transferência para uma universidade diferente das alternativas apresentadas que concentra uma das principais reclamações.

No print de julho entregue à reportagem, consta expressamente que “até o momento” o valor informado para transferência externa era de Gs. 8.000.000.

Segundo os estudantes, entretanto, posteriormente teria sido informado um valor de Gs. 15 milhões para determinada situação envolvendo a retirada de documentação/semestre anterior.

Uma publicação apresentada pelos acadêmicos mostra ainda comentário atribuído a um perfil identificado como “carlosbernardo.of”, afirmando que, para “retirar o semestre anterior”, seria necessário pagar 15 milhões de guaranis.

Em outra manifestação nas redes sociais, uma estudante afirma que anteriormente teria sido prometida gratuidade aos interessados na transferência e solicitada a elaboração de uma lista. Segundo ela, posteriormente teria surgido a cobrança de Gs. 15 milhões.

Considerando apenas a comparação matemática entre os Gs. 8 milhões informados em julho para transferência externa e os Gs. 15 milhões posteriormente mencionados nos relatos, a diferença seria de Gs. 7 milhões, equivalente a um aumento de 87,5%.

Os documentos apresentados, porém, não permitem concluir que os dois valores correspondem exatamente ao mesmo procedimento administrativo. Por isso, a reportagem não afirma que houve reajuste formal de 87,5%, mas registra a divergência e cobra esclarecimentos sobre a composição e a fundamentação das cobranças.

Documento também menciona Gs. 6 milhões

Outro documento apresentado à reportagem acrescenta uma terceira cifra à discussão.

Em trecho de uma ficha contratual da UCP, é possível visualizar cláusula relacionada à desvinculação da carreira e preparação de documentação para transferência, com referência ao pagamento de Gs. 6 milhões.

Como a reportagem recebeu apenas parte desse documento, não é possível estabelecer, com segurança, se essa cobrança corresponde ao mesmo procedimento mencionado posteriormente por Gs. 8 milhões e Gs. 15 milhões.

Os estudantes questionam justamente a existência de diferentes valores e afirmam querer uma explicação formal sobre quais taxas são aplicáveis, em quais situações e qual norma ou resolução fundamenta cada cobrança.

Tabela de taxas apresentada pelos estudantes

A reportagem recebeu também uma imagem apresentada como página da Resolução nº 446/2025 da UCP, destinada a estabelecer valores de procedimentos acadêmicos e administrativos para o ano letivo de 2026.

Na página encaminhada aparecem diversos valores para certificados, exames, homologações, titulação e outros procedimentos acadêmicos.

A página apresentada à reportagem, entretanto, não mostra cobrança de Gs. 15 milhões para transferência externa. Como o próprio documento indica tratar-se da página 2 de 3, não é possível afirmar que esse valor inexista na resolução completa.

Situação da Interamericana preocupa parte dos estudantes

Outro ponto levantado pelos alunos é a situação acadêmica do curso de Medicina da Universidade Interamericana.

Os estudantes afirmam que parte da turma não se sente segura em migrar para a instituição por considerar recente a habilitação do curso e por dúvidas relacionadas à acreditação pela ANEAES (Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Educação Superior).

Uma das mensagens apresentadas à reportagem afirma que a ANEAES seria solicitada em 2027 e acrescenta que a Interamericana faria a inscrição no processo.

A mesma comunicação menciona que os estudantes que optassem por permanecer na Interamericana assinariam um documento de concordância relacionado à transferência entre UCP e Interamericana.

Essas mensagens demonstram o teor das informações que circulavam entre os acadêmicos, mas não substituem manifestação oficial do CONES, da ANEAES ou das universidades sobre a situação regulatória atual do curso.

“Nos sentimos abandonados”

No depoimento enviado ao Mídia News Campo Grande, um estudante afirma que centenas de brasileiros e paraguaios estariam sendo afetados pela situação.

“Até o momento, não nos foi apresentada uma resolução formal que justifique este aumento nem um apoio documental claro para este novo valor”, afirma o acadêmico sobre a cobrança que, segundo o grupo, teria chegado a Gs. 15 milhões.

O estudante também relata que parte dos colegas não pretende seguir para a Interamericana e quer ter liberdade para escolher outra instituição.

Atualmente nos sentimos abandonados e sem uma solução clara para o nosso futuro acadêmico”, afirma o denunciante.

Os alunos dizem possuir outros documentos e depoimentos relacionados ao caso.

Conflito chegou à Polícia Civil em Campo Grande

A crise também ganhou um capítulo policial.

Um boletim de ocorrência apresentado à reportagem mostra que uma estudante brasileira registrou, em 31 de julho de 2026, uma ocorrência na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande (1ª DEAM).

No documento, os fatos comunicados foram classificados como injúria e difamação.

Segundo a versão apresentada pela comunicante à Polícia Civil, ela produzia conteúdos nas redes sociais sobre as mudanças envolvendo sua formação acadêmica e teria passado a sofrer hostilizações depois dessas publicações.

A estudante relatou à polícia supostas ofensas durante reuniões relacionadas à instituição. Segundo o BO, em uma segunda reunião, realizada diante de aproximadamente 500 estudantes, ela teria sido novamente exposta.

A comunicante declarou ainda temer por sua integridade física e segurança pessoal e manifestou interesse na responsabilização criminal do homem apontado no registro.

O Mídia News Campo Grande ressalta que o boletim de ocorrência comprova a formalização da denúncia policial, mas não significa comprovação das acusações nem estabelece responsabilidade criminal da pessoa mencionada. Os fatos narrados correspondem à versão apresentada pela comunicante e dependem da apuração das autoridades competentes.

Resolução confirma fim da oferta da UCP em Pedro Juan Caballero

Em meio às diferentes denúncias, existe uma certeza documental: a mudança da filial da UCP está oficialmente autorizada.

A Resolução nº 438/2026 do CONES determina expressamente que o traslado para Assunção seja concluído até fevereiro de 2027. Depois desse prazo, a universidade não poderá mais ofertar suas carreiras em Pedro Juan Caballero.

A resolução, entretanto, não estabelece nos trechos apresentados cobrança de Gs. 8 milhões ou Gs. 15 milhões, tampouco determina que os estudantes sejam obrigatoriamente transferidos para a Universidade Interamericana.

É justamente nesse intervalo entre a decisão oficial de mudança e as condições oferecidas aos acadêmicos que se concentram os questionamentos.

Os estudantes querem saber quais direitos possuem caso decidam não acompanhar a UCP para Assunção nem permanecer na instituição apontada como alternativa em Pedro Juan Caballero, além da fundamentação para os valores exigidos para obtenção de documentos e transferência acadêmica.

O Mídia News Campo Grande deixa espaço aberto para manifestação da Universidade Central do Paraguai, Universidade Interamericana e das pessoas mencionadas nas denúncias, além de esclarecimentos dos órgãos paraguaios responsáveis pela regulação e avaliação do ensino superior. Eventuais respostas poderão ser incorporadas à reportagem.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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