Saúde prepara rede de Campo Grande para possíveis impactos do El Niño
Sesau reforça protocolos, monitora riscos climáticos e avalia estrutura das unidades para antecipar aumento da demanda e garantir atendimento durante eventos extremos

Campo Grande intensificou a preparação da rede municipal de saúde para enfrentar possíveis impactos provocados pelo El Niño e por eventos climáticos extremos. A estratégia envolve desde o acompanhamento epidemiológico até a avaliação da infraestrutura das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), com atenção especial aos grupos considerados mais vulneráveis.
O município está entre as cidades de Mato Grosso do Sul apontadas como prioritárias para ações de adaptação da rede de saúde. A definição ocorreu durante o evento “Sala de Guerra”, realizado em agosto, e prevê diagnóstico, planejamento e adequação dos serviços diante de diferentes cenários relacionados às mudanças climáticas.
Nesta segunda-feira (14), uma reunião técnica realizada no gabinete da prefeita Adriane Lopes reuniu representantes de diferentes setores da administração municipal. A agenda, articulada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), deu continuidade às discussões realizadas no início de setembro com a Defesa Civil, Assistência Social e equipes técnicas da Saúde.
Prevenção antes dos eventos extremos
Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, o objetivo é preparar a rede antes que situações climáticas adversas provoquem aumento da procura pelos serviços.
O planejamento considera cenários envolvendo temperaturas elevadas, irregularidade das chuvas, estiagens, veranicos, incêndios florestais e outros eventos extremos. Entre as possíveis consequências estão alterações na incidência de doenças respiratórias, problemas provocados pelo calor e pressão adicional sobre unidades de atendimento.
A estratégia inclui a verificação das condições de telhados, calhas e sistemas de drenagem, além do abastecimento de água e energia. Também são analisados capacidade de leitos, estoque de oxigênio, medicamentos, equipamentos, insumos e reservas estratégicas.
Vigilância acompanha riscos à saúde
A Vigilância em Saúde acompanha alertas da Defesa Civil, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do CEMTEC/MS para relacionar as condições meteorológicas aos possíveis reflexos na população.
Entre os problemas que podem exigir maior atenção estão doenças respiratórias, arboviroses, doenças diarreicas, intoxicações causadas pela fumaça, acidentes com animais peçonhentos, desidratação e insolação. Inundações, estiagens e outros fenômenos extremos também podem aumentar a ocorrência de acidentes e traumas.
A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, destacou que o acompanhamento dos indicadores permite identificar mudanças no perfil das doenças antes que elas provoquem maior pressão sobre os serviços.
Grupos vulneráveis terão atenção especial
O planejamento prevê ainda o mapeamento das regiões mais vulneráveis de Campo Grande e das pessoas que podem necessitar de atendimento diferenciado. Estão nesse grupo idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas com deficiência, pacientes acamados, usuários de oxigenoterapia domiciliar e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
As medidas fazem parte do AdaptaSUS, estratégia de adaptação do Sistema Único de Saúde às mudanças climáticas. Além de Campo Grande, estão entre os municípios prioritários Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho.
Planejamento será integrado entre diferentes órgãos
A proposta da administração municipal é manter uma articulação permanente entre Saúde, Defesa Civil, Assistência Social, Meio Ambiente, Educação, Corpo de Bombeiros e setores responsáveis pelos serviços de água e energia.
Entre as medidas previstas estão a criação ou manutenção de grupos de monitoramento, definição de responsáveis, atualização dos planos de contingência e estabelecimento de comunicação rápida entre as unidades de saúde e a gestão municipal.
Para a prefeita Adriane Lopes, as experiências recentes devem ser incorporadas ao planejamento para que o município consiga aperfeiçoar continuamente sua capacidade de prevenção e resposta. A estratégia também deverá considerar as particularidades das diferentes regiões de Campo Grande e os locais que apresentam maior vulnerabilidade diante de eventos climáticos severos.
Da redação Midia News Campo Grande





